
Mancha na Ponta Negra estava bem nítida na segunda (02/11) e nesta terça já está mais diluída. Foto: Marcos Santos
O aumento do número de flutuantes ou poluição dos igarapés são hipóteses para fenômeno ocorrido no rio Negro. A área em frente à praia da Ponta Negra ganhou uma espécie de Encontro das Águas, com divisão que lembra o fenômeno nos rios Negro e Solimões. Este portal noticiou a ocorrência. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) tem outra possibilidade: “Uma fábrica de detergente, localizada na BR-174, já provocou reação semelhante. Ela jogou resíduos em igarapé afluente do Tarumã e daí chegou ao rio Negro. Vamos investigar”, disse o gerente de Recursos Hídricos do Ipaam, Sérgio Martins.
“A investigação é prioridade e será feita de imediato”, disse o presidente do Ipaam, Juliano Valente. O órgão é responsável pelo licenciamento de flutuantes, mas somente quando o uso é comercial. “Estão burlando as licenças, para alugar ou apoiar a pesca”, afirma.
A falta de tratamento de efluentes nos flutuantes do Tarumã contribui para a poluição. Outra hipótese é a coloração amarelado do curso d’água, que decorre da vazante, ter sido depositada no rio Negro. O Tarumã atrai pela proximidade de Manaus e beleza natural, como ponto de negócios, especialmente bar ou restaurante, ou lazer. O aumento do número dessas construções acelera o processo de poluição.
“A gente saía de barco para comer peixe, num restaurante da cachoeira baixa do Tarumã. Entrava pelo Laguinho, seguia pelo Cetur e ia até lá. Tudo era navegável. Hoje é só poluição e isso acaba se refletindo no Tarumã. Principalmente nessa época de vazante”, diz um empresário, que prefere não se identificar.
A lista de água branca passa pelo local de banho, na praia da Ponta Negra, e segue até próximo à ponte Jornalista Phelippe Daou. Nesta terça (03/11), a mancha já está menos visível.
As outras explicações para o fenômeno, visto nos últimos dias, são o recrudescimento da vazante e o movimento de embarcações. Como está baixo, o lodo do fundo do rio fica em suspensão. A separação nítida, até que o dia avance, porém, dá razão ao argumento do avanço da poluição.
Veja, em vídeo, o registro do fenômeno:
A Capitania dos Portos fiscaliza localização e finalidade dos flutuantes e emite uma licença para instalação. O Ipaam licencia flutuantes comerciais.
O repiquete, registrado desde a parada na vazante, entre os dias 16/10 e 23/10, aumentou.
A Administração do Porto de Manaus parou de registrar o movimento, na régua do Roadway, desde o sábado (31/10). Nesta terça (03/11), o registro foi feito e mostra uma descida no nível do rio Negro de mais 19 centímetros.
Sábado e domingo, o movimento diário foi de -4cms. Segunda, a descida aumentou para -5cm e, nesta terça (03/10), chegou a -6cm. O rio Negro está agora 16m66.
O movimento na régua do porto de Manaus não reflete, necessariamente, nos lagos e demais rios da região. Os lagos afluentes do rio Madeira, por exemplo, demoram 15 dias para alcançar o mesmo ritmo dos rios Negro e Solimões.
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