
Barreira sanitária ajuda prevenir entrada do coronavírus em terras indígenas Andirá Marau. Fotos: Divulgação
Uma parceria entre a Prefeitura de Barreirinha, a Secretaria Especial de Assistência ao Índio (Dsei) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) viabilizou os trabalhos de ajuda aos índios da etnia Sateré Mawé.
O objetivo é evitar o contato entre os moradores das aldeias daquela região e os demais comunitários das áreas não indígenas, e prevenir contra a Covid-19 nas demais aldeias do rio Andirá.
A barreira sanitária montada logo no começo da pandemia, com a participação dos demais órgãos parceiros, tem coibido o aumento do vírus entre os parentes indígenas.
Apesar das dificuldades que são enfrentadas no dia a dia, quem está na linha de frente, como é o caso do fiscal voluntário e chefe das abordagens, Ismael Ferreira da Silva (Manelito), filho do ex-capitão Geral da tribo Sateré Mawé Raimundo Ferreira da Silva (já falecido), não somente a barreira coíbe a entrada do vírus, mais também de bebidas alcoólicas.
“A ação de fiscalização diminuiu muito a violência, devido o uso do álcool, ou até mesmo a droga”, explicou o tuxaua do distrito de Ponta Alegre Heliton Barbosa.
De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) de Barreirinha, se não fosse a medida com a participação dos moradores e autoridades, poderia ter acontecido um surto nas aldeias. “Esses cuidados dos moradores para o uso da máscara, manter o distanciamento, usar álcool gel, servem para nos proteger. Que a morte do tuxaua geral não fique no esquecimento, e todo o povo se una para combater o coronavírus”, alerta Leopoldo Tavares, coordenador da FVS.
Leopoldo também falou da parceria com o Dsei e Funai. Segundo ele, mesmo com os 15 casos e uma morte a confirmar (tuxaua Amado Menezes), essa parceria melhorou muito com a atuação dos profissionais do Dsei.
“Sempre o município vai ajudar esse povo que tanto necessita da mão do poder publico, a barreira sanitária, não só evita a proliferação do vírus nas aldeias, mas inibe ou acaba com a entrada de bebidas alcoólicas, drogas, entre outras coisas ilícitas para área indígena”, lembrou Sérgio Butel, indigenista da Funai.
“A parceria é um momento que veio em boa hora para fortalecer o trabalho contra o coronavírus, vamos seguir com ela, pois os nossos irmãos saterés precisam desse apoio. O vírus já fez vítimas fatais e vamos lutar para que não atinja mais moradores,”, disse o filho do tuxaua Amado Menezes, Raifran Meneses.
Amado Menezes faleceu há uma semana com suspeita da Covid-19. Conforme a comunidade, era um líder que sempre lutou pelas causas indígenas e nunca abandonou a luta juntamente com as lideranças.
O coordenador do Departamento de Assistência ao Índio (DAI), Nasson Menezes lembrou que são pelo menos 15 profissionais envolvidos nos trabalhos, nas áreas da saúde, segurança, lideranças e voluntários que atuam na linha de frente.
O papel do DAI diante dessa pandemia consiste em articular os direitos e deveres indígenas junto às esferas de governo, assim como, as instituições como Funai e Dsei-Pin e outras organizações não governamentais.
Assim tem como importância interligar o clamor dos parentes indígenas Sateré Mawé a itens básicos sociais mais de forma segura, através de protocolos pré-definidos junto com as lideranças indígenas e a equipe técnica da saúde, além de fiscalizar, orientar, e sistematizar o acesso à informação para prevenção do Covid-19.
