09/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Seminário na 42ª Expoagro aponta rumos para desenvolvimento da Bioeconomia no AM

Publicado em 28 de setembro, 2020

Seminário na 42ª Expoagro apontou rumos para desenvolvimento da Bioeconomia no Amazonas. Foto: Divulgação/Sedecti

primeiro dia da 42ª Exposição Agropecuária (Expoagro), nesta segunda-feira (28/9), contou com o 1º Seminário de Bioeconomia do Amazonas. Entre as propostas apresentadas para estruturar a base de um desenvolvimento sustentável no estado estão a junção de ações que pode combinar o saber tradicional das populações locais e a implantação de unidades de manejo integral aliados a políticas públicas inclusivas capazes de garantir acesso ao mercado e uma coalizão global de economia verde.

O evento, em formato totalmente on-line, está sendo transmitido pelo canal da Sedecti no Youtube @sedectiamazonas e também pelo canal da TV Encontro das Águas, na mesma plataforma. Organizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o seminário reuniu personagens de peso no debate em torno das políticas de desenvolvimento sustentável: o cientista Spartaco Filho, da Universidade Federal do Amazonas/Rede Bionorte; o secretário executivo de Estado de Meio Ambiente, Luís Henrique Piva; o representante do Conselho Nacional das Populações e Comunidades Tradicionais, Dione Torquato; e o superintendente-geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana. A mediação ficou por conta da secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação, órgão da Sedecti, Tatiana Schor.

Aos participantes do seminário foi lançado o questionamento: ‘Como promover um entendimento sobre a bioeconomia em um contexto amazônico’. Para o pesquisador Spartaco Filho é fundamental que haja uma ação forte, antes de tudo, para conter a destruição da floresta. “A Amazônia está em risco, em meio a toda biodiversidade existente na região”, alertou. Ele defendeu a instalação de unidades de manejo integral, a exemplo da existente na reserva de Mamirauá, onde é realizado com sucesso o manejo do pirarucu, incluindo nesse cenário o madeireiro e outros apontados por bioprospecção.

A estruturação de políticas públicas junto às comunidades que garantam infraestrutura, justiça social e equidade de gênero foi uma das propostas apresentadas pelo secretário Luís Henrique Piva. “O saber tradicional, a cultura dessas populações devem ter espaço valorizado nesse debate”, argumentou.

Dione Torquato destacou a socioeconomia e o uso coletivo do território por populações indígenas e tradicionais no Amazonas, e as perspectivas de desenvolvimento nessas regiões. “O extrativismo sustentável, com meios para melhorar a produção de castanha, açaí e pirarucu é que pode contribuir para a manutenção do modo de vida dessas comunidades”, complementou. Os desafios, segundo Torquato, são antigos. “Precisa haver regularização fundiária e políticas públicas transversais”, enfatizou.

Uma estratégia segura para desenvolver a bioeconomia no estado passa por uma solução holística, afirmou Virgílio Viana, que deve dialogar os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), incluindo a formação de núcleos de conservação e sustentabilidade, programas de educação e empreendedorismo, entre outros fatores. Uma coalizão global de economia verde para ampliar as atividades sustentáveis centradas nas pessoas é a linha do programa que será lançado pela FAS, lembrou Viana, ainda este ano.

Programação

Nesta terça-feira (29/9), às 10h, será realizado o Painel 2: ‘Construindo Novas Relações na Bioeconomia Amazônica – O Manejo do Pirarucu e a Avicultura no Amazonas’. O evento terá a participação do pesquisador João Paulo Ferreira Rufino; Adevaldo Dias, do Memorial Chico Mendes/Associação dos Produtores Rurais de Carauari; Luís Paulo de Oliveira Silva, coordenador das Rotas de Economia Circular do Ministério de Desenvolvimento Regional; e Meib Seixas, do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam).

Às 15h, será a vez do Painel 3: ‘Como são definidos os preços dos produtos da sociobiodiversidade amazônica’, com a participação de Luiza Gomes de Moura, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab-AM); Fabiano Silva, da Fundação Vitória Amazônica; Ana Cláudia Torres Gonçalves, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá; e Bruno Simões, da Indústria de Polpas de Frutas da Amazônia de Benjamin Constant. Ambos os painéis terão a moderação da secretária executiva de Ciência e Tecnologia, Tatiana Schor.

Na quarta-feira (30/9), a programação prossegue com o Painel 4: ‘Fortalecimento das Cadeias Produtivas da Bioeconomia Amazônica’, às 10h, com a participação de Sandra Neves, da Associação Agropecuária de Beruri; Pedro Mariosa, da Universidade Federal do Amazonas; Carina Pimenta, do Instituto Conexus; André Viana, do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam); e Artur Coimbra, do Nakau.

Às 15h30, acontece o Painel 5: ‘Empreendedorismo e a Cultura de Inovação na Bioeconomia Amazônica’, com a participação de Paulo Renato, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Amazonas); Andreia Bavaresco, do Instituto Internacional de Educação do Brasil; Olinda Canhoto, do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA); Macaulay Abreu, da Associação Polo Digital; e Antônio Mesquita, da Ufam. O encerramento do seminário será no dia 30, às 16h50.

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