13/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Médicos no AM defendem mais estudos sobre reinfecção por coronavírus: ‘Não há motivo para pânico’

Publicado em 25 de agosto, 2020

Da esquerda para a direita: os médicos Rossi Pinheiro, Julio Cezar e Dirce Onety. Foto: Divulgação

A semana começou com um nova e assustadora informação sobre o novo coronavírus: cientistas pelo mundo relatam casos de reinfecção. Na segunda-feira (24/8), a confirmação veio de Hong Kong; nesta terça (25/8), da Bélgica e da Holanda. Consultados pelo Portal do Marcos Santos, médicos no Amazonas concordam que o vírus se comporta de maneira diferente em cada localidade, mas alertam que é preciso analisar com profundidade diversos fatores para considerar os recentes estudos sobre reinfecção. “Não há motivo para pânico”, disse uma médica. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) informou que não há caso de reinfecção no Estado.

Ontem, pesquisadores da Universidade de Hong Kong confirmaram o primeiro caso de reinfecção pelo coronavírus. Um homem de 33 anos contraiu o vírus pela segunda vez neste mês depois da primeira infecção em março, ou seja, quatro meses e meio após ter sido declarado livre da Covid-19.

O paciente de Hong Kong não desenvolveu nenhum sintoma e foi liberado do hospital na sexta-feira (21/8). Já o paciente Bélgica apresentou sintomas leves, segundo o virologista Marc Van Ranst.

De acordo com a virologista Marion Koopmans, citada pela rede de TV holandesa NOS, o paciente holandês é uma pessoa idosa e com um sistema imunológico frágil.

Sem motivo para pânico

A Covid-19 continua apresentando surpresas, mas, para a médica Rossi Pinheiro, não há motivos para pânico. De acordo com ela, os relatos de reinfecção são compatíveis com uma resposta imune protetora, e se assemelham ao que ocorre com as vacinas.

Conforme a médica, o reaparecimento da doença em pacientes é aceitável, inclusive quando se usa a vacina para proteção contra doenças. Ela explicou que as pesquisas têm avançado, mas ainda não há vacinas esterilizantes – que impedem a transmissão. Se a imunização criada em laboratório impedisse a doença no corpo, já seria um bom sinal.

A médica destacou que o homem de Hong Kong não teve sintomas, na nova infecção. Na avaliação de Rossi Pinheiro, o que preocupa é o fato de não ser tão simples interromper a transmissão do vírus.

“O paciente não desenvolveu a doença na segunda infecção. Isso quer dizer que provavelmente ficou protegido pela primeira. A questão é: se não está desenvolvendo sintomas, será possível a transmissão?”, questiona Rossi.

Ela acredita ser possível transformar a Covid-19 em um resfriado comum, quando houver vacina comprovadamente eficaz contra o novo coronavírus. A médica defendeu mais pesquisas sobre o tema.

“As cepas do vírus parecem realmente ser distintas. Da primeira vez, mediram resposta de IgG com 10 dias, então pode ser que o paciente não produziu, ou ainda não tinha produzido anticorpos. Se medissem de novo, depois de 30 dias, pode ser que achassem, e pode ser que não. Mas, da segunda vez, acharam com 5 dias apenas, o que sugere que o paciente produziu células de memória, que prontamente reagiram à segunda vez com produção de anticorpos IgG. Isso não é ruim, é um bom sinal”, explicou Rossi, sobre os métodos de detecção utilizados no paciente de Hong Kong.

Rossi afirmou que os casos de reinfecções relatados pelo mundo são isolados. “Em Hong Kong só foi detectado por causa de um screening obrigatório no aeroporto. Pode ser que haja mais como este, mas pode ter sido pontual. Mas, de qualquer maneira, não há motivo para pânico!”, destacou.

Mais pesquisas e segunda onda

Rossi Pinheiro descartou a possibilidade de uma segunda onda. Porém, de acordo com ela, em caso de aumento expressivo, os especialistas já têm ideia dos suscetíveis, da gravidade, da morbidade e como conduzir os quadros mais frequentes.

Para a médica Dirce Onety, especialista em terapia intensiva e coordenadora da UTI adulto do Hospital Samel, também não há motivos para acreditar numa segunda onda. A médica destacou a necessidade de observar o que ocorre em cada localidade.

“Isso [reinfecções] não obrigatoriamente é um sinal para uma possível segunda onda. A doença tem se comportado de maneira diferente em cada localidade. Em alguns locais, a infecção adotou sim o padrão de onda, mas em outros, parece estar se comportando mais como doença endêmica. É necessário mais tempo de observação aqui para ter certeza do que está acontecendo”, afirmou.

Para a médica, em caso de uma segunda onda, o estado ainda não está preparado para atender um aumento rápido da procura por unidades de saúde. Segundo Dirce Onety, historicamente, os leitos de UTI já eram insuficientes para população antes mesmo do Covid-19.

O médico Julio Cezar também defende mais pesquisas sobre os relatos de reinfecção. Ele observou que é preciso considerar as características específicas de cada paciente. “Antes de qualquer conclusão precipitada, é necessário um estudo mais aprofundado com diversas variantes, como idade, doenças pré-existentes, mutação do vírus, morbidades, entre outras”, disse.

Amazonas sem casos de reinfeção

A FVS-AM informou que não há caso de reinfecção no Amazonas. “É importante salientar que, até o momento, não há nenhum protocolo preconizado pela Organização Mundial de Saúde e do Ministério Da Saúde”, afirmou a fundação, em nota enviada à redação.

A instituição lembrou, ainda, que os casos de Covid-19 “seguem em desaceleração no Estado”.

 

Reportagem: David Batista e Fabrinne Guimarães

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