
Manaus pode ter terremotos por causa da exploração de gás, alerta pesquisa. Foto: Arquivo
No futuro, Manaus poderá sofrer com terremotos induzidos pela exploração de gás na região. O alerta é de uma estudo inédito publicado na revista Earthquake Spectra. O conteúdo da pesquisa foi divulgado pelo portal da Revista Galileu e pelo jornal O Globo.
A pesquisa foi realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com a Universidade de Córdoba, na Argentina, e Johns Hopkins University, em Baltimore.
Segundo o estudo, o fenômeno ocorreria porque a cidade está em uma área onde há falhas neotectônicas e numa região onde são realizadas atividades de exploração de gás, capazes de induzir eventos sísmicos.
Os pesquisadores que chegaram e essa conclusão investigavam os impactos da exploração de gás nas regiões que não registram terremotos ou outros tipos de abalo sísmico, como é o caso da capital do Amazonas.
Conforme reportagem de O Globo, a região também foi escolhida por estar sobre uma das maiores reservas de gás do Brasil. Isso tem despertado o Ministério de Minas e Energia do governo federal.
De acordo com o pesquisador Luiz Vieira, da Unicamp, os terremotos na área seriam provocados pela penetração da água utilizada na exploração do gás entre as falhas neotectônicas. A entrada da água geraria os abalos.
“A exploração de gás se dá pela injeção de água, em alta pressão, nas rochas onde esses gases estão depositados. Depois desse processo, a água, altamente contaminada, é colocada em poços extremamente profundos, e é daí que elas conseguem penetrar nas falhas”, explicou o especialista.
Vieira afirmou que essa é a primeira vez que foi possível provar, por análise de dados, a possibilidade de existirem terremotos em áreas do país, que registra poucos eventos de atividades sísmicas.
Conforme a reportagem, a pesquisa traz um alerta sobre os riscos da atividade de exploração de gás. “O Ministério de Minas e Energia tem interesse em incentivar essa atividade, mas vale lembrar que outros países têm relatado vários problemas. Um terremoto na região teria impactos principalmente por conta da vulnerabilidade das residências da região metropolitana. Com isso, esse tipo de atividade de extração deve ser evitada em zonas próximas a áreas urbanas”, enfatizou Luiz Vieira.
Manaus tem área construída estimada em US$ 21 bilhões e pode ter perda média de US$ 189 milhões por ano, caso terremotos passem a atingir a cidade. “As normas brasileiras de construção não estão preparadas para projetar edificações protegidas para abalos sísmicos, já que o fenômeno não é recorrente no país. O estudo vem, inclusive, para isso, mostrar o que pode acontecer e como se prevenir”, disse o pesquisador.
A reportagem da Galileu afirma que algumas técnicas levantadas pela pesquisa podem mitigar os efeitos provocados pela atividade. Uma delas seria o uso de um volume restrito de injeção de água durante o processo de extração. Uma outra seria o monitoramento contínuo.
Fonte: Galileu e O Globo
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