
Foto: Reprodução/CNN Brasil
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, detalhou, nesta sexta-feira (31/7), a luta contra a Covid-19 e disse que pensou na morte. A declaração foi dada à CNN Brasil. Na entrevista, ele também disse que Manaus vive uma “fase de tranquilidade” e voltou a criticar Jair Bolsonaro. Dessa vez, Arthur comparou o presidente a Delfim Moreira – presidente do Brasil no início do século XX. “Alheio a tudo”, enfatizou o prefeito.
Arthur classificou como “vexatória a situação do Brasil” na pandemia, o segundo país em número de mortos por Covid-19. Confira os detalhes, a seguir.
O prefeito lembrou os 31 dias que passou internado para se tratar da Covid-19, e contou que se dedicou à fisioterapia. “Algumas sequelas ficam. O pulmão vai cicatrizando, vai limpando a cada momento”, disse. “Se eu falar muito, eu tenho acesso de tosse, talvez lembrança do meu passado de menino asmático que fui”, completou.
O prefeito alertou a população sobre a infecção. “Se eu pudesse fazer uma recomendação às pessoas, eu faria. Não peguem essa doença. Ela é ilógica, ela é perversa”, disse, lembrando que a primeira-dama Elisabeth Valeiko Ribeiro também foi infectada. “Ela teve dores no corpo, ficou sem paladar e sem olfato. Depois disso, ficou completamente boa. Eu tive que lutar, e lutar muito, porque os meus sintomas eram outros”, disse.
Ele destacou que a doença pode atacar diferentes órgãos, como coração e cérebro, e revelou que temeu morrer. “Eu pensei na morte. Eu dizia ‘não é o melhor lugar para eu morrer, não é a melhor hora para eu morrer’. Eu não tenho medo de morrer, mas eu não gostaria de morrer assim, desse jeito”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a situação da pandemia em Manaus, Arthur destacou que a capital “está bem” e vive uma fase de tranquilidade, mas ponderou sobre a situação no restante da região.
“Eu não sei se dura [a fase de tranquilidade em Manaus]. Eu sou muito cauteloso. Agora, se a gente fala em Amazonas, eu acredito muito em subnoticação. Eu creio muito que pessoas no interior do interior, que a gente chama de ‘beiradão’, tem gente que pode estar enterrando os seus mortos dentro de casa, no seu quintal”, disse.
Na avaliação do prefeito, o Sistema Único de Saúde (SUS) “não é nada” no Amazonas. “Dos 61 municípios, fora Manaus, nenhum deles tem armas para enfrentar essa doença”, afirmou. Contando com a capital, o estado é composto por 62 municípios.
O prefeito voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro, que também adquiriu Covid-19. Ontem (30/7), o presidente esteve em Teresina, no Piauí, no seu primeiro compromisso público após a recuperação da doença. “Ele, às vezes, me lembra o presidente Delfim Moreira [presidente do Brasil entre 1918 e 1919]: alheio a tudo, enquanto outras pessoas tentam fazer o dia a dia de uma gestão”, ressaltou Arthur.
Virgílio afirmou que há insensatez no Brasil e nos Estados Unidos, numa referência às gestões de Bolsonaro e do presidente norte-americano, Donald Trump, frente à pandemia. “É culpa, na verdade de cima, começa nos dois presidentes”, falou.
O presidente destacou, ainda, a ajuda internacional que recebeu para o combate à pandemia no Amazonas, citando o presidente francês Emmanuel Macron e a ativista Greta Thunberg.
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