27/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Índios de Barreirinha recebem cestas no dia em que Bolsonaro veta ajuda aos indígenas

Publicado em 08 de julho, 2020

Índios de Barreirinha recebem cestas

Índios de Barreirinha recebem cestas de alimentos básicos, enquanto o presidente veta ajuda, inclusive de água potável, nas comunidades indígenas e tradicionais

A Prefeitura de Barreirinha forneceu cestas básicas a cerca de 2,1 mil famílias, isoladas por conta da pandemia, nos rios Andirá e Marau. Foram mais de cem toneladas de alimentos, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai). A ajuda chega no momento em que o presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos a lei 14.021, para proteção social em territórios indígenas. Ele vetou a obrigação dos governos de oferecer água potável e leitos hospitalares em emergência, além de o favorecimento do acesso de índios ao auxílio emergencial.

A distribuição teve mais de 4,5 mil unidades de cestas básicas, destinadas a cerca de 80 aldeias da etnia Sateré-Mawé. Há mais de 90 dias, a reserva indígena do Andirá-Marau está sob isolamento social total. A tática foi adotada para evitar que casos do novo coronavírus acometam os indígenas da região de Barreirinha. Lá (área indígena) não há nenhum caso novo registrado desde maio.

A entrega seguiu os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Um técnico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) executou a desinfecção, com pulverizador Stihl SR 420. A medida é preventiva contra possíveis vírus alojados nas embalagens.

 

Mais casos de Covid-19

Os casos de Covid-19 em Barreirinha têm aumentado constantemente, como mostram boletins da FVS-AM. Já ultrapassaram mais de 500 confirmações positivas, nos últimos 15 dias. A chegada das cestas básicas até os sateré-mawé evita que indígenas sejam infectados, podendo disseminar o vírus nas demais aldeias.

O prefeito de Barreirinha, Glenio Seixas, afirma que a preocupação com a vida dos povos tradicionais é prioritária. Antes da pandemia, eles sempre enfrentaram grandes distancias para acessar políticas socioassistenciais e serviços de bem comum.

“Sabemos dos empecilhos que a nossa logística nos impõe. Ainda mais com a pandemia, que obrigou o povo indígena a se recolher para evitar que muitos parentes fossem dizimados por este vírus terrível. A partir da parceria com as entidades governamentais e sem fins lucrativos, nós estamos possibilitando que a população ribeirinha receba atenção especial, neste momento delicado”, disse o prefeito.

A ação da Prefeitura de Barreirinha se deu pelas secretarias municipais de Assistência Social (Semas) e Saúde (Semsa), além do Departamento de Assistência ao Índio (DAI). O suporte da Funai garantiu os arranjos finais para a distribuição dos donativos.

Sérgio Butel, coordenador da Funai no Baixo Amazonas, disse que, sem a parceria da administração municipal de Barreirinha, seria quase impossível beneficiar a população mawé com essa ajuda humanitária. “Uma logística para realizar a entrega de mais de cem toneladas de alimentos exige bastante esforço conjunto. Nesse sentido, nós contamos com o apoio da Prefeitura de Barreirinha. O povo Sateré fica satisfeito em receber essa atenção e esse apoio por parte do poder público”, afirmou.

Índios de Barreirinha recebem cestas

A logística para a entrega de cestas é complicada, atravessando grande região desabitada

Cada chefe de família recebeu duas cestas básicas, que, somadas, chegavam a 22 quilos de alimentos. O líder indígena da comunidade Vila Nova, Juca Miquiles, disse que “o povo ficou feliz”. Ele lidera a maior aldeia indígena do Alto Andirá. As mais de cem famílias da comunidade foram reunidas para receber a ajuda humanitária. “Com esse distanciamento social e a população não podendo sair, chegar um benefício como esse é tão louvável, pois, quando chegaram essas cestas básicas na comunidade, o povo ficou muito feliz”, destacou o tuxaua.

 

A Lei, vetos e obrigações

A Lei Federal vetada parcialmente por Bolsonaro é oriunda de projeto aprovado em 16 de junho pelo Senado. Visa proteger comunidades quilombolas, povos tradicionais e indígenas que vivem em áreas urbanas ou rurais na pandemia. O veto atinge a obrigação da União, Estados e Municípios de fornecer alimentos, sementes e ferramentas agrícolas, diretamente, para os indígenas e comunidades tradicionais.

Os governos federal, estaduais e municipais ainda ficam obrigados, pela parte mantida na Lei, a garantir a participação de Equipamentos Multiprofissionais de Saúde Indianos (EMSIs) qualificados e treinados, bem como Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) qualificados e disponíveis, nas comunidades. O acesso a testes rápidos e moleculares, medicamentos e equipamentos médicos usados ​​para identificar e combater os vírus, também foram mantidos.

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