
Garroteiros atravessam a noite em torneio de pênaltis (foto) disputando boi e porca. Fotos e vídeo: Jayme Pereira Jr.
Um torneio de futebol que iniciou às 19h, neste sábado (27/06), não tem hora para acabar. Trata-se de modalidade diferente: apenas pênaltis são cobrados. A disputa acontece na nesga de terra que a enchente livrou, no terreno do pecuarista e comerciante Edgard Lira, um dos mais tradicionais do paraná do Mamori, no Careiro Castanho. A previsão é que o encerramento aconteça após as 15h.
O vencedor da disputa feminina, que tem cinco “times” inscritos, leva uma porca. O vencedor do masculino, com 25 participantes, ganha um boi jovem, chamado de garrote. É daí que vem o apelido de “garroteiros” porque esses jogadores percorrem as comunidades rurais, onde o futebol é a grande paixão, disputando torneios desse tipo. São “profissionais” dessas competições.
O “time” pode ser formado por um só jogador, que cobre e defenda os pênaltis. Ou por dois, cobrador e goleiro, que pode ser trocado a qualquer momento, desde que não seja de outro disputante.
O futebol na região do Mamori e adjacências, interior do Careiro Castanho, confluência com Autazes, é muito popular. Torneios, com times “normais”, formados por 11 jogadores, acontecem em campos espalhados por várias comunidades.
Os prêmios variam de caixas de cerveja a garrotes, porcos e até dinheiro. Os clubes chegam nos recreios ou em rabetas, sempre muito animados. É comum que, nos maiores torneios, também aconteçam festas com muito forró e brega. São eventos que, geralmente, dominam o fim de semana inteiro.
Em plena pandemia, os torneios continuaram, embora em menor número. Agora, encerrado o pico de Covid-19, as competições de pênaltis aparecem como alternativa para a volta gradual.
“A paixão pelo futebol é uma marca desse povo. É, praticamente, o único divertimento dessa gente, que trabalha a semana inteira e quer algo para fazer no fim de semana. Tudo que para nós, moradores da cidade, é atrativo, como a pesca, para eles é rotina. Daí o futebol representar a melhor alternativa de lazer”, explica o advogado Jayme Pereira Jr., dono de um flutuante na região.
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