
Pandemia dificulta acesso de 560 mil pessoas ao mercado de trabalho em maio no Amazonas. Foto: Alex Pazuello/Semcom
Em maio, no Estado, 560 mil pessoas ou 73,7% da população que estava fora da força de trabalho, mas queriam trabalhar, relataram que não procuraram emprego devido à pandemia. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (24/6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que publicou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) – Covid-19.
Segundo o IBGE no Amazonas, no mês de maio, 12% da população amazonense estava desocupada, ou seja, buscava emprego, mas não tinha. E entre a população ocupada, 641 mil pessoas (49% dos ocupados) trabalhavam informalmente, no Estado. Outras 221 mil ocupadas afastadas do trabalho, deixaram de receber remuneração. Conforme a pesquisa, 87 mil estavam trabalhando remotamente.
Cerca de 759 mil pessoas não conseguiram procurar emprego no mês de maio por causa da pandemia ou por falta de oportunidade na região em que vivem. Nesse mesmo período, outros 179 mil estavam desempregados e buscaram uma ocupação, mas não encontraram.
“Com isso, o Amazonas alcançou a marca de 938 mil pessoas que queriam um emprego, mas enfrentaram dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, seja por falta de vagas ou receio de contrair o novo coronavírus”, informou o instituto.
Os dados são os primeiros resultados mensais da PNAD Covid19, divulgada nesta quarta pelo IBGE. O levantamento é uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), realizada com apoio do Ministério da Saúde, para identificar os impactos da pandemia no mercado de trabalho e para quantificar as pessoas com sintomas associados à síndrome gripal.
A pesquisa prevê divulgações semanais, para alguns indicadores, em nível Brasil, e divulgações mensais para um conjunto mais amplo de indicadores, por Unidades da Federação. “Outro fato é que seus dados não podem ser cruzados com os dados da PNAD Contínua Trimestral, pois possuem metodologias diferentes”, destacou a instituição.
Em maio, o IBGE estima que 1 milhão e 307 mil pessoas estavam ocupadas no Amazonas, embora 2 milhões e 955 mil estivessem em idade para trabalhar. Isso significa que menos da metade (44,2%) estava trabalhando no mês passado, no Estado.
A pesquisa mostra também que o Estado somava 641 mil trabalhadores na informalidade, que são os empregados do setor privado sem carteira; trabalhadores domésticos sem carteira; empregados que não contribuem para o INSS; trabalhadores por conta própria que não contribuem para o INSS; e trabalhadores não remunerados em ajuda a morador do domicílio ou parente.
Segundo os dados da PNAD Covid19 de maio de 2020, foram estimados, no Amazonas, cerca de 4 milhões de habitantes. Na população residente, 2,95 milhões tinham 14 anos ou mais de idade, ou seja, em idade de trabalhar.
A população na força de trabalho era de 1,48 milhão. Entre esses, 1,30 milhão eram ocupados e 179 mil desocupados. A população fora da força de trabalho ficou estimada em 1,46 milhão.
A taxa de desocupação no Amazonas ficou em 12%, sétima maior taxa do país. Cerca de 2,2 milhões de pessoas compunham as pessoas que estavam na força de trabalho, 759 mil pessoas não ocupadas que não procuraram trabalho, mas gostariam de trabalhar. Cerca de 560 mil pessoas não ocupadas não procuraram trabalho em razão da pandemia ou por falta de trabalho na localidade, mas gostariam de trabalhar.
No Amazonas, havia 1,3 milhão de pessoas ocupadas na semana de referência, dentre os quais: 498 mil eram pessoas que trabalhavam por conta própria, 336 mil pessoas ocupadas no setor privado e com carteira assinada e 135 mil era militares e servidores estatutários. Em relação ao trabalhador doméstico, a maioria desses (45 mil) eram trabalhadores de carteira assinada (39 mil pessoas).
Em relação ao grupamento por atividade, do total de pessoas ocupadas no Amazonas, 244 mil pessoas estavam ocupadas na Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, 203 mil pessoas ocupadas Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, 177 mil pessoas ocupadas no Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas e 141 mil pessoas na indústria geral, sendo que desses 116 mil pessoas na indústria de transformação.
No Amazonas, das 1,3 milhão de ocupadas, 367 mil estavam afastadas do trabalho que tinham na semana de referência e 282 mil estavam afastadas devido ao distanciamento social, representado 21,6% de afastados na população ocupada. Regionalmente, o Nordeste foi o que apresentou o maior percentual de pessoas afastadas do trabalho devido ao distanciamento social, 26,6%, seguida pela Região Norte, 23,3%, enquanto a Região Sul foi a menos afetada, 10,4%.
No Amazonas, foi verificado que entre os ocupados que estavam afastados do trabalho que tinham na semana de referência (367 mil), aproximadamente 221 mil pessoas deixaram de receber remuneração do trabalho, este total representava 60,2% do total de pessoas afastadas do trabalho que tinham ou 16,9% do total de ocupados(1,3 milhão). As regiões Nordeste e Norte foram as mais impactadas, apresentaram os maiores percentuais de pessoas afastadas do trabalho que tinham e que ficaram sem a remuneração do trabalho entre o total de pessoas afastadas, 55,3% e 53,2%, respectivamente.
Das 1,3 milhão de pessoas ocupadas no Amazonas, 939 mil não estavam afastadas do trabalho que tinham. Dessas, 87 mil trabalha na forma remota, ou seja cerca de 9,3%.
Cerca de 35 mil pessoas ocupadas e não afastadas tiveram horas trabalhadas menores que as trabalhadas e 276 mil pessoas tiveram horas trabalhadas maiores que as normalmente trabalhadas. O número médio de horas trabalhadas foi de 35,7 e o número médio de horas efetivamente trabalhadas foi de 22,7.
Veja mais notícias em Economia