
Preso no Maranhão, Michael foi transferido para Manaus nesta terça-feira. Foto: Divulgação
Michael Saboia de Souza, de 19 anos, preso no Maranhão, na semana passada, já está em Manaus. Ele é o principal suspeito do feminicídio da adolescente Heloísa Medeiros da Silva, que tinha 17 anos. Nesta terça-feira (9/6), a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deu informações sobre o caso. Segundo o delegado Paulo Martins, Michael passou dois dias com a adolescente já morta no quarto, até contar a familiares sobre o ocorrido e fugir do local. À polícia, o suspeito afirmou que teve três “ideias” para se desfazer do corpo, uma delas era desfigurar a jovem, para que ela não fosse reconhecida. Assista ao vídeo da coletiva, ao final do texto.
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) transferiu Michael para Manaus, na manhã desta terça-feira. Ele foi preso, na última sexta-feira (5/6), no bairro Anjo da Guarda, em São Luís, capital do Maranhão.
Heloísa foi encontrada morta na madrugada do dia 15 de dezembro de 2019, na casa da avó do infrator, situada na rua Miranda Leão, bairro Centro, zona Sul de Manaus.
Na ocasião, uma equipe da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) foi acionada pelo tio de Michael, que informou às autoridades que ele havia assassinado uma adolescente e teria abandonado o corpo no imóvel.
A vítima estava seminua. O corpo tinha sinais de estrangulamento e indícios de tortura.

À esquerda Michael, suspeito do homicídio; à direita, Heloísa, adolescente assassinada em dezembro do ano passado. Fotos: Divulgação
Em coletiva nesta terça-feira, o delegado Paulo Martins, da DEHS, adiantou detalhes das declarações de Michael à Polícia Civil. A situação teria começado no dia 12 de dezembro de 2019, uma quinta-feira, quando Michael e Heloísa se encontraram em um bar, no bairro Vieiralves, na zona Centro-Sul de Manaus.
No dia seguinte, uma sexta-feira, a jovem já estava morta, na casa da avó de Michael. No entanto, a polícia só foi acionada para o local na madrugada do domingo, 15 de dezembro.
Paulo Martins relatou a versão contada por Michael na noite do encontro dos dois e na manhã de sexta-feira.
“Ele fala que na quinta-feira, salvo engano dia 12 de dezembro, convidou a moça para ir a um bar no Vieiralves. Eles marcaram, ela chegou por volta das 11h da noite no local, e lá eles começaram a beber. Ele fala que ingeriu bebida alcoólica e ela, além da bebida alcoólica, estava ingerindo drogas. Por volta de 4h30 da manhã foram para a casa dele, no intuito de ficar com ela. Ele disse que quando chegou lá recebeu a mensagem de uma outra mulher, perguntando se estava acompanhado, ele negou e ela viu essa mensagem, se aborreceu e passou a agredi-lo. Ele, para se defender, lembra apenas que deu um abraço nela. Depois disso, conta que ‘apagou’ e só acordou na sexta-feira, por volta das 10h e percebeu que ela estava morta”, contou Martins.
De acordo com o delegado, naquela sexta-feira, Michael saiu de casa normalmente para ir trabalhar. “Ele continuou sua vida norma”, disse o Paulo Martins. “Ele entregava marmitas no Centro, e foi trabalhar normalmente e a moça já morta dentro do quarto dele”, continuou.
Por volta das 17h do dia, o rapaz voltou para a casa da avó. Paulo Martins afirmou que Michael disse ter tido “três ideias” para se desfazer do corpo da adolescente. “Ele começou a pensar o que ele ia fazer com o corpo. Foi quando ele teve a ideia de arrancar as unhas dela. As unhas postiças postiças, que ele fala, não eram as unhas naturais. Ele arrancou as unhas dela. Cortou o cabelo. O intuito dele era desfigurar a moça para, depois, jogar o corpo dela em algum local, para que ela não pudesse ser reconhecida”, disse o delegado.
Uma segunda “ideia” era embrulhar o corpo da jovem em um pano ou plástico e jogar no rio Negro. “Tirar ela de dentro da casa e jogar ela no meio do rio, para que os peixes pudessem comê-la. Foi o termo que ele utilizou”, relatou o delegado.
A terceira “ideia” seria jogar o corpo em um terreno abandonado ao lado da casa dele. “E lá os urubus iriam comer ela. E aí ninguém a acharia. Então, essas foram as três ideias que ele teve. Ideia maluca! E aí ele pensou na hora para tentar se eximir da responsabilidade de responder por crime”, disse o delegado.
Michael ainda ficou com o corpo da adolescente no quarto durante toda a noite de sexta-feira. “Dormiu no quarto com a moça já morta”, afirmou Paulo Martins.
No sábado, 14 de dezembro de 2019, ele saiu novamente para trabalhar. “Foi ao supermercado. Voltou. Foi a um aniversário. Isso no sábado”, relatou o delegado.
Ainda no sábado, por volta das 19h, Michael percebeu que a polícia já estava procurando pela adolescente. “Foi quando ele resolveu entrar em contato primeiro com a ex-mulher dele. Possivelmente [depois], com um advogado que é tio dele. Foi quando eles resolveram chamar a polícia. Só que quando a polícia foi ao local, ele já não estava mais. Já estava foragido”, disse o delegado.
A polícia disse não poder afirmar se ele contou com a ajuda de alguém para fugir.
Após a equipe da DEHS tomar conhecimento do crime, foram iniciadas as buscas para localizar o suspeito. Por meio da investigação, os policiais civis conseguiram obter a informação de que Michael estaria morando em uma casa alugada, no bairro Anjo da Guarda, em São Luís (MA).
A PC-AM contou com a ajuda da polícia do Maranhão para prender Michael.
Michael foi indiciado por feminicídio e ocultação de cadáver. Após prestar depoimento na sede da DEHS, ele ficará a disposição da Justiça.
Para a delegada-geral da Polícia Civil, Emília Ferraz, a instituição cumpriu o seu papel. “A Polícia Civil se sente tranquila porque deu esse retorno para a família e para todas as mulheres que almejam que seja realizada a Justiça quando da prática de um feminicídio”, disse.
Assista ao momento em que Michael chega à DEHS e também ao vídeo da coletiva em que a Polícia Civil fala sobre o caso:
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