23/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Opas diz que América Latina é novo epicentro da Covid-19

Publicado em 26 de maio, 2020

Opas diz que América Latina é novo epicentro da Covid-19. Foto: Agência Petrobras

A América Latina é considerada o novo epicentro da pandemia de Covid-19 e a projeção é de que o Brasil pode chegar a 88,3 mil óbitos em agosto deste ano. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) divulgou essa conclusão nesta terça-feira (26/5), em entrevista coletiva semanal sobre o novo coronavírus, realizada de forma virtual.

A organização ressaltou a importância de atenção à associação da Covid-19 com outras doenças não transmissíveis, como câncer, diabetes, hipertensão e obesidade. A diretora da Opas, Carissa Etienne, disse que a instituição utiliza um modelo próprio de projeções diárias para respaldar a avaliação das necessidades dos países e que o modelo tem limitações, mas projeta cenários que variam de acordo com a resposta de cada país à pandemia.

“Na América do Sul, o Brasil, o Peru, o Chile, o Equador e a Venezuela seguem aumentando (os números de casos diários e mortes). Bolívia e Paraguai mostram uma diminuição pequena. Mas, no Brasil, o modelo informa que as mortes diárias apresentam um aumento exponencial, chegando, no dia 4 de agosto, a 88.300 mortes. É o que se projeta”, afirmou Carissa.

A América Latina ultrapassou a Europa e os Estados Unidos em número diário de infecções pelo novo coronavírus. São números menores do que a realidade, suspeitam os especialistas da Opas. A diretora ressaltou que dois dos três países no mundo com maior número de casos registrados se encontram atualmente nas Américas (Estados Unidos e Brasil).

“Na América do Sul, estamos especialmente preocupados com o número de casos novos registrados na semana passada no Brasil, que foi o mais alto durante um período de sete dias, desde que começou o surto. Peru e Chile registraram também uma alta incidência, sinal de que a transmissão ainda está acelerando nesses países”, afirmou.

Segundo Carissa, para a maioria dos países das Américas, este não é o momento de flexibilizar as restrições e reduzir as estratégias de prevenção. “É o momento de seguir fortes, vigilantes e implementar agressivamente as medidas de saúde pública comprovadas. A vida e o bem-estar de milhões de pessoas em nossa região dependem disso”, disse.

Distanciamento

O vice-diretor da Opas, Jarbas Barbosa, ressaltou a necessidade de manter as medidas de distanciamento para achatar a curva de contaminação do vírus e reduzir a velocidade de transmissão.

“Já temos experiências de países e cidades em que, quando a transmissão ocorre sem medidas para deter a velocidade (de propagação), os serviços de saúde podem e vão ter suas capacidades esgotadas. E é muito importante também revisar o que está acontecendo com a adoção das medidas, porque, para que se tenha sucesso, é importante a adesão da população. Ao mesmo tempo, tem que ampliar a capacidade de testar. Testar todos os pacientes suspeitos, os que tiveram contatos com esses pacientes e isolá-los de maneira adequada – essa é uma maneira muito efetiva de seguir detendo a transmissão do vírus. E o terceiro pilar é uma boa preparação dos serviços de saúde. Essa é a combinação que pode propiciar que o país tenha a redução que precisa”, afirmou.

Barbosa destacou também a trajetória de propagação do novo coronavírus, começando na Ásia e se espalhando por Europa e América do Norte, chegando depois na América Latina.

“Os países da América Latina tiveram um período de preparação, e isso foi muito importante, pois muitos países implementaram seus planos e adotaram medidas de distanciamento social, que retardaram a transmissão. Mas, agora, temos uma transmissão muito forte e, por isso, é necessário chamar a atenção de todos os ministérios de saúde, para avaliar a efetividade das medidas que estão adotando. Vamos ter semanas duras por diante”, disse o vice-diretor.

Informações corretas

O diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal, afirmou que a América Latina é uma região de grande iniquidade – negação do fato – e que é importante que as pessoas recebam informações corretas. “Estamos em uma pandemia com um vírus muito difícil, mas também há muitas notícias falsas e é importante educar as pessoas sobre os fatos reais”, disse.

Espinal afirmou que a Opas está preocupada com o Brasil e que o mais importante agora é aumentar o número de testes. “As previsões para o Brasil, não só no modelo da Opas, mas em vários modelos, mostra que se a epidemia segue em aumento”, ressaltou.

Associação a outras doenças

A diretora da Opas chamou a atenção para o impacto desproporcionado que o novo coronavírus tem em pessoas que sofrem de doenças não transmissíveis como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, asma e outras doenças respiratórias, além da obesidade.

“Nunca vimos uma relação tão nefasta entre uma doença infecciosa e as não transmissíveis. Alguns dados são verdadeiramente alarmantes, especialmente em nossa região, onde há muitíssimas doenças não transmissíveis. Estudos na China mostram que mais de 28% dos pacientes com câncer que contraíram a Covid-19 morreram, comparado com somente 2% do total de pacientes. Há 1,2 milhão de pessoas que vivem com câncer na América Latina e no Caribe”, relatou Carissa.

Outra fonte de preocupação é com os fumantes. “Fumar causa câncer, doenças pulmonares e está associado diretamente à redução da capacidade respiratória. Aliás, fumar aumenta a probabilidade de se desenvolver uma doença grave, resultado da Covid-19. Cerca de 15% dos adultos nas Américas ainda fuma e podem enfrentar esse risco”, afirmou.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.