18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Ministro autoriza divulgação de vídeo de reunião ministerial citada por Moro

Publicado em 22 de maio, 2020

Reunião ministerial foi realizada no dia 22 de abril deste ano. Foto: Reprodução/Palácio do Planalto

Em decisão divulgada nesta sexta-feira (22), o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que fosse retirado o sigilo do vídeo da reunião ministerial realizada no dia 22 de abril. O ex-ministro Sergio Moro disse que a gravação prova que o presidente Jair Bolsonaro tentou fazer interferências na Polícia Federal (PF). Leia, ao final, a decisão.

“Determino o levantamento da nota de sigilo imposta em despacho por mim proferido no dia 08/05/2020 (Petição nº 29.860/2020), liberando integralmente, em consequência, tanto o conteúdo do vídeo da reunião ministerial de 22/04/2020, no Palácio do Planalto, quanto o teor da degravação referente a mencionado encontro de Ministros de Estado e de outras autoridades”, escreveu o ministro, na decisão.

O decano autorizou, ainda, o acesso à íntegra da degravação do vídeo. A única restrição imposta foi a trechos específicos em que há referência a dois países com os quais o Brasil mantém relação diplomática. “Assinalo que o sigilo que anteriormente decretei somente subsistirá quanto às poucas passagens do vídeo e da respectiva degravação nas quais há referência a determinados Estados estrangeiros”, diz a decisão.

O ministro é relator do inquérito sobre a suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF. A reunião foi citada pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro durante depoimento prestado à PF, no início do mês, como suposta prova da interferência.

Na semana passada, antes da decisão do ministro Celso de Mello, o procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu no STF a divulgação somente das falas do presidente relacionadas com a investigação. No parecer, Aras afirmou que a divulgação da íntegra da reunião ministerial contraria regras e princípios constitucionais de investigação

A Advocacia-Geral da União (AGU) também defendeu divulgação de todas as falas do presidente, mas pediu que o sigilo seja mantido no caso de falas de outras autoridades que estavam presentes sobre “nações amigas” e comentários “potencialmente sensíveis” do ministro das Relações Exteriores e da Autoridade Monetária (Banco Central).

A defesa de Moro também enviou sua manifestação e defendeu a divulgação da reunião na íntegra.

Desde a exoneração de Moro, o presidente nega que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.

Leia a decisão do ministro.

Fonte: STF e Agência Brasil

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