
Enfermeiros fazem protesto pedindo EPIs e melhores condições de trabalho. Foto: Divulgação
Com faixas e cartazes, profissionais da saúde fizeram protesto nesta segunda-feira (27), em frente ao Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na avenida Mário Ypiranga Monteiro (antiga Recife), onde reivindicaram melhores condições de trabalho. Os profissionais reclamaram da falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para atuar na unidade hospitalar no combate ao novo coronavírus.
Durante a manifestação, profissionais da enfermagem prometeram paralisar o atendimento no 28 de Agosto caso suas reivindicações não sejam atendidas. Com gritos de “socorro à saúde”, o grupo bloqueou por diversas vezes parte da avenida na zona Centro-Sul.
Manifestantes seguravam fotos de colegas que morreram vítimas da Covid-19. Segundo o Sindicato de Saúde do Amazonas (Sindisaúde), até o momento, já ocorreram 16 óbitos entre os profissionais de saúde, 400 estão infectados pelo vírus e mais 1 mil seguem afastados pela doença.
Na manhã deste domingo (27), um vídeo viralizou nas redes sociais, mostrando um enfermeiro do setor de politrauma do hospital reivindicando EPIs.
Nas imagens, o enfermeiro fala ainda sobre uma possível paralisação no atendimento, caso a direção da unidade não colocasse à disposição máscaras N95 e outro equipamentos para garantir a segurança no atendimento.
A diretora do Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, Alessandra dos Santos, garante que a obrigatoriedade do uso de EPIs vem sendo cumprida mesmo com o aumento da demanda.
“Meu consumo diário é de 450 batas impermeáveis. Máscara N-95, a gente libera a cada 20, 15 dias. Eles (profissionais de saúde) assinam um protocolo quando recebem a N-95. No dia a dia, todos eles recebem o avental impermeável, os óculos de proteção cada um tem o seu, e isso é permanente do profissional. Eles recebem touca, máscara cirúrgica, isso é liberado diariamente para todos os profissionais da enfermagem”, assegurou Alessandra, destacando que todos os EPIs preconizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são utilizados.
Governo diz que não falta EPI
O Governo do Amazonas afirma que não há falta de EPIs. Todos os profissionais que estão nos setores de emergência, Sala Rosa, Politrauma e UTI estão recebendo máscara N95 e outros EPIs necessários, conforme protocolo de recebimento assinados pelos próprios.
Mesmo com a dificuldade de aquisição no mercado e o aumento no consumo, que quintuplicou desde o início da pandemia, o Governo do Amazonas afirma que não tem medido esforços para garantir o abastecimento das unidades da rede estadual na capital e no interior.
Entre os dias 17 e 24 de abril, o HPS 28 de Agosto recebeu da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) cinco remessas de EPIs, com 143,1 mil itens, incluindo 18 mil máscaras cirúrgicas, 700 máscaras N95, 1 mil máscaras de proteção respiratória, 850 kits completos de EPIs produzidos pela UEA, entre outros equipamentos de proteção.
A Secretaria Estadual de Saúde tem orientado o uso racional e correto de EPIs, conforme recomendações da Anvisa e da Fundação de Vigilância em Saúde e, desde o início da pandemia, vem difundindo materiais educativos para serem trabalhados nos núcleos de vigilância das unidades. Os equipamentos são distribuídos aos profissionais de acordo com a situação, o ambiente e o tipo de procedimento realizado em suas unidades.
Quanto à alimentação dos profissionais de saúde, a direção do HPS 28 de Agosto ressalta que além do ticket alimentação, as refeições são realizadas na própria unidade, portanto não ficam desassistidos.
Para o combate à Covid-19, o Governo do Estado fez aquisição de mais de 4 milhões de máscaras entre cirúrgicas e N95, 36 milhões de pares de luvas descartáveis, 400 mil aventais impermeáveis, 49.1 mil aventais cirúrgicos, 1,2 milhão de aventais descartáveis, 35 mil sapatilhas, 41 mil toucas, 1.115 óculos de proteção.
Também recebeu várias remessas do Ministério da Saúde, incluindo 292 mil máscaras cirúrgicas e cerca de 415 mil pares de luvas descartáveis, entre outros itens. Vem recebendo ainda contribuição de diversas empresas parceiras e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que está produzindo EPIs para os hospitais da capital e interior.
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