
Foto: Alex Pazuello/Semcom
O prefeito Arthur Virgílio Neto anunciou que reforçará as medidas para manter o isolamento social em Manaus e declarou que vai pedir ajuda internacional para o enfrentamento à Covid-19. “Momentos duros exigem que se tomem atitudes antipáticas para que não sejam desastrosas”, avaliou. As informações foram divulgadas pela prefeitura nesta quarta-feira (22/4), que fez um resumo das declarações de Arthur Neto nesta semana.
Arthur Virgílio anunciou que enviará um pedido de ajuda aos principais líderes dos governos internacionais. “Estamos pedindo socorro ao presidente e estou escrevendo cartas e gravando vídeos para enviar ao G20, dizendo que a Amazônia faz tanto por eles, segurando a temperatura com sua floresta e seus rios, e está na hora de eles devolverem isso, com médicos voluntários, medicamentos, equipamentos. É um pedido de socorro da Amazônia, com humildade e altivez”, disse o prefeito.
Em entrevistas à imprensa local, nacional e estrangeira, Arthur Virgílio tem falado sobre a saúde do Estado e criticado a postura do governo federal diante da pandemia, além de reforçar que o momento é de se manter em casa. “Condeno tanto a atitude do presidente da república, quando gera aglomeração, quanto a das pessoas que não seguem a orientação de manter o isolamento social. Cada um deve pagar sua cota de sacrifício”, afirmou.
No início da semana, o prefeito de Manaus se encontrou com o vice-presidente Hamilton Mourão, junto com o governador do Amazonas, Wilson Lima, e destacou ter sido verdadeiro ao expor as principais demandas para enfrentar a doença, exigindo soluções imediatas. “Chega de conversa, é hora de o governo federal agir. Não podemos mais esperar que avaliem e decidam algo daqui a tantos dias, porque tantas pessoas já terão morrido”, advertiu.
Um das medidas mais recentes citadas pelo prefeito é oferta de um crematório, a partir de uma parceria. Com isso, os parentes de mortos teriam outra opção além do enterro, que em Manaus começou a ser feito a partir das chamadas trincheiras ou valas coletivas.
Outra medida é recomendação do uso de máscaras de proteção e itens de higiene no transporte coletivo.
“As pessoas não estão se isolando. Diariamente, temos registro de enterros com óbitos por causas desconhecidas, por insuficiência respiratória. São pessoas que não foram testadas para a Covid-19. Vou ser bem claro: estamos longe do fim da doença e próximo do pico, que deve ser em meados de maio. Precisamos tomar atitudes que encurralem esse vírus da Covid-19”, avaliou o gestor, que tem 40 anos de vida pública e pela terceira vez é prefeito de Manaus.
Na área da Saúde, o prefeito afirmou que a Prefeitura de Manaus está indo além do seu papel, de suporte à atenção básica. Com a criação do hospital de campanha municipal Gilberto Novaes, instalado na estrutura de um espaço que seria unidade de ensino, o município ajuda a aliviar o caos na saúde de média e alta complexidade.
A prefeitura pretende ampliar o número de leitos da unidade dos atuais 56 para 150. Caso a ajuda federal seja enviada, a quantidade leitos do hospital pode subir para mais de 270. “Isso não é um hospital de campanha. É um gesto de amor”, afirmou Virgílio.
O alerta feito por Arthur Virgílio Neto sobre o colapso no sistema de saúde de Manaus vem sendo amplamente repercutido na imprensa do Brasil e do mundo. À agência internacional de notícias Sputnik, o prefeito comparou a gravidade do momento ao enfrentamento de outras doenças na capital. “Passamos por dengue, chikungunya, sarampo, mas nunca passamos por um teste tão sério, duro e definitivo quanto o novo coronavírus”, destacou.
Em entrevista à CNN Brasil, Arthur falou sobre o estado de calamidade pública que a capital vive, se referindo também à situação funerária e apontando o crescente número de mortes diárias, que já supera a média de cem óbitos. “Já ultrapassamos a fase de emergência e, até agora, não houve ajuda federal decisiva. Seguimos alheios a qualquer auxílio nesse sentido”, disse.
O posicionamento sobre a crise funerária em Manaus também foi abordado pelo jornal “Folha de São Paulo”. Em entrevista ao veículo, o prefeito se emocionou quando foi questionado sobre a fala do presidente Jair Bolsonaro ao dizer que não é coveiro para saber o número de mortes por Covid-19 no Brasil.
“Queria dizer para ele que tenho muitos coveiros adoecidos. Alguns em estado grave. Tenho muito respeito pelos coveiros. Não sei se ele serviria para coveiro. Talvez não servisse. Tomara que ele assuma as funções de verdadeiro presidente da República. Uma delas é respeitar os coveiros”, desabafou. As declarações também foram repercutidas por noticiosos como “O Globo”, “Quebrando o Tabu” e “Mídia Ninja”.
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