
Concorrência mundial prejudica aquisição de novos respiradores para o AM, segundo a Susam e a FVS. Foto: Valdo Leão/ Secom
A concorrência mundial por novos respiradores para pacientes infectados pelo novo coronavírus tem prejudicado o Brasil. O Amazonas está entre os estados que deixaram de receber pedidos feitos dentro do planejamento do Governo do Estado. A informação foi confirmada em coletiva on-line, nesta quinta-feira (2), pelo secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, e pela diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Rosemary Costa Pinto.
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De acordo Rodrigo Tobias, atualmente, o Amazonas conta com 69 respiradores exclusivos para tratar de pacientes graves com coronavírus. “Até o dia 15 de maio, a gente vai, pelo menos, chegar a 300 leitos de UTIs respiradores, todos eles centralizados no Delphina Aziz”, disse o secretário. Os pacientes tratados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) são os considerados graves, que precisam de ventilação mecânica.
Tobias alertou que, no atual cenário, além da Covid-19, outros problemas de saúde levam as pessoas às unidades de saúde. Em paralelo aos casos de Covid-19, esses pacientes também podem precisar de UTIs.
“Temos acidentes, temos pessoas que infartam, temos pessoas que agravam nas suas doenças crônicas. Portanto, a gente pede para a população, nesse momento, que ela se sinta responsável. Ficando em casa vocês vão ajudar o sistema de saúde a prestar o cuidado necessário para aqueles que realmente necessitam nesse momento de pandemia do coronavírus”, disse.
A diretora-presidente da FVS-AM destacou que o Governo do Amazonas tem se esforçado para adquirir respiradores para ampliar a rede pública de saúde. “Já há mais de um mês, a Susam fez o seu planejamento e começou as suas tratativas para compras. Só que, no meio do caminho, outros percalços aconteceram”, disse.
“Parte dos equipamentos que nós estávamos contando em adquirir foram ou confiscados pelo Ministério da Saúde ou, os que viriam da China, foram confiscados pelo governo dos Estados Unidos. Então, o planejamento está feito. Todos os esforços estão sendo feitos no sentido de aquirir esses respiradores, mas as dificuldades existem. Uma concorrência mundial”, completou Rosemary.
Ontem (1º), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, revelou que fornecedores da China cancelaram pedidos de equipamentos feitos pelo Brasil, depois que os Estados Unidos realizaram uma compra em massa. O contratos de venda de equipamentos médicos incluíam máscaras e respiradores.
“Hoje os Estados Unidos mandaram 23 aviões cargueiros para a China para levar o material que eles adquiriram. As nossas compras, que nós tínhamos expectativa de concretizá-las para poder fazer o abastecimento, muitas caíram”, disse o ministro.
Ainda na coletiva de quarta-feira, Mandetta afirmou que o Ministério da Saúde não está conseguindo adquirir estoque regular de equipamentos, em razão da concorrência mundial.
“O nosso problema é que este vírus ele foi extremamente duro e derrubou, machucou, inutilizou, parou a produção dos equipamentos de proteção individual que os hospitais utilizam no mundo todo”, disse Mandetta.
Ele reforçou a necessidade de cuidar bem dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), afirmando que máscaras N95 serão identificadas com os nomes dos profissionais de saúde, esterilizadas e devolvidas para serem usadas por mais tempo. Normalmente, esse tipo de máscara é descartada depois da primeira utilização.
O ministro disse, ainda, que devem ser redobradas as medidas de prevenção, entre elas, o isolamento social.
Na live desta quinta, o titular da Susam e a diretora-presidente da FVS-AM foram mais enfáticos ainda sobre a necessidade de isolamento social. Tobias chegou a alertar sobre um possível colapso do sistema de saúde, caso as medidas de restrições não sejam seguidas agora.
“Nós precisamos que a população colabore. Nós temos tem, hoje, um volume quase normal de tráfego de veículos nas ruas”, disse Rosemary.
Ela destacou que há um esforço por parte do setor produtivo e de grande parte da população, mas alertou que é preciso que todos colaborem. “Está havendo um sacrifício muito grande para por parte dos comerciantes, por parte do Distrito Industrial, por parte dos trabalhadores autônomos, que estão sendo instados a ficar em casa, a paralisar suas atividades e, mesmo assim, hoje temos 12 óbitos, dos quais três confirmados, três descartados e seis em investigação”, ressaltou a titular da FVS-AM.
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