
Terceira vítima do Covid-19 (ilustração) ainda passou por tentativa de reanimação, no SPA do Coroado, mas era tarde demais
O terceiro paciente a falecer de Covid-19 no Amazonas, na manhã de segunda-feira (30/03), demorou a procurar ajuda. “Recomendamos que quem tiver comorbidades, sentir dor na garganta, dificuldade de respirar e febre alta que nos procure. Quando esse paciente chegou, não podíamos fazer mais nada “. A afirmação é da presidente da Fundação de Vigilância Sanitária do Amazonas (FVS-AM), enfermeira Rosemary Costa Pinto.
“Comorbidades” são doenças pré-existentes, como hipertensão arterial, diabetes, asma e até obesidade. Os convalescentes de câncer e os cardiopatas também se enquadram na lista de risco.
A terceira vítima deu entrada no SPA do Coroado às 11h02, segunda, com quadro de parada cardiorrespiratória, diz nota da FVS. Os médicos ainda tentaram reanimá-lo, mas, às 11h17, o óbito foi declarado. Foram feitos os testes e o resultado saiu nesta terça (31/03): positivo para o Covid-19.
A morte põe em alerta os grupos de risco e os que apresentam sintomas do Coronavírus. E aguça a atenção para os sintomas. O Amazonas tem agora 175 casos da doença, 24 de ontem para hoje. Vinte e oito estão internados, 22 em unidades particulares e seis no Delphina. Dos internados, 12 estão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), nove na rede privada e três no Delphina.
O músico Binho Lopes, 43, tecladista da Banda Joy, era obeso e teve asma na infância, segundo relato de Rosemary. Geraldo Sávio, 49, o primeiro a falecer vítima de Covid-19 no Amazonas, era obeso e hipertenso. O terceiro falecimento foi de uma pessoa diabética.
Binho Lopes foi um dos pacientes nos quais foi testada a cloroquina, medicamento usado contra malária. A droga é apontada como possível alternativa contra o Covid-19.
O pesquisador Marcus Lacerda, do Hospital de Medicina Tropical e da Fiocruz-AM, revelou que os estudos sobre a cloroquina ainda não são conclusivos. Ele é um dos líderes do estudo, que tem o Amazonas como referência, disse que estão sendo ministradas posologias diferentes, até estabelecer um protocolo. Estava em reunião com empresários, políticos, magistrados e órgãos de controle, no gabinete do governador.
O secretário estadual de Saúde, Rodrigo Tobias, também nesta terça (31/03), deu detalhes sobre a contratação de 600 profissionais de saúde. “A administração do hospital Delphina (Rinaldi Abdel) Aziz é feita por uma OS (Organização Social). É uma empresa terceirizada. Será ela que contratará esses profissionais”, disse.
O Delphina Aziz, que ainda não funcionou integralmente, é gerido pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH). A mesma OS administra a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Campos Sales, que compõe o Complexo de Saúde da Zona Norte.