
Rodrigo Tobias (Susam) e Rosemary Costa Pinto (FVS-AM) explicaram quais devem ser os cuidados com máscaras artesanais.Foto: Rodrigo Santos/Secom
Máscaras produzidas artesanalmente podem não estar protegendo contra o novo coronavírus. O alerta é do titular da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), Rodrigo Tobias, e da diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Costa Pinto. Ambos afirmaram, na coletiva on-line deste domingo (29), que nem todas as máscaras atendem aos critérios estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Elas funcionam muito mais como um bloqueio físico do que necessariamente um bloqueio contra a não contaminação”, disse o secretário Rodrigo Tobias. “É possível a contaminação? Provavelmente, sim”, completou.
Tobias destacou que as máscaras cirúrgicas e as do tipo N95 são as indicadas para a proteção. “Essas sim são regulamentadas pela Anvisa. Então, elas têm um outro tipo de bloqueio”, afirmou.
A diretora-presidente da FVS-AM informou que, normalmente, as máscaras artesanais são produzidas com um tecido conhecido como tricoline.
“A trama desse tecido é aberta. Vírus: ele tem um tamanho muito diminuto, muito pequeninho. E, normalmente, essas máscaras não filtram vírus. Elas são bonitinhas, estampadas, coloridas, mas a função principal, que seria evitar que as pessoas se contaminassem, elas não atendem. Por isso mesmo é que a Anvisa não autoriza”, esclareceu.
De acordo com Rosemary Pinto, a Anvisa autoriza a confecção de máscaras com TNT cirúrgico ou odontológico, considerado material especial. “Não é o TNT que a gente compra ali na esquina. E essa máscara tem que ser confeccionada em duas ou três camadas. Se a máscara domiciliar for feita com TNT cirúrgico ou odontológico e ela tiver duas ou três camadas, então, nesse caso, ela vai proteger. Se ela for feita com outro tipo de tecido, ela não vai proteger contra o novo coronavírus”, explicou.
Rodrigo Tobias lembrou que a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) recebeu, na última quinta-feira (27), uma doação de 20 máquinas de costura da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e entidades de classe do sistema de indústrias.
Os equipamentos irão reforçar o trabalho de internos do sistema prisional na confecção de máscaras de proteção para ajudar na contenção do novo coronavírus no estado.
“O Governo do Amazonas, por meio da Seap, juntamente com a Susam, tem feito a produção de máscaras que atendem aos pré-requisitos da Agência de Vigilância Sanitária. Toda essa produção, a gente vai estar disponibilizando para aqueles pacientes que procurarem as nossas unidades e que tiverem toda a sintomatologia”, disse o titular da Secretaria Estadual de Saúde.
Os pacientes com suspeita de coronavírus ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), quando chegam às unidades de saúde do estado, recebem uma máscara e são encaminhados a uma sala rosa. Nesse local, eles passam por testagem e avaliação clínica. O médico responsável pela avaliação redistribui os pacientes de acordo com a doença.
Se for confirmada a suspeita de coronavírus, a pessoa é encaminhada para o Delphina Aziz, quando o caso é grave, ou vai para isolamento domiciliar quando apresenta sintomas leves.

Máscaras artesanais devem ser produzidas com TNT cirúrgico ou odontológico. Foto: PMS