
Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia da Ufam está produzindo e distribuindo álcool em gel à população. Foto: Divulgação
Departamentos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão mobilizados contra o Coronavírus. Uma das iniciativas ocorre na cidade de Itacoatiara, onde o Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia está produzindo e distribuindo álcool em gel à população. O Instituto de Natureza e Cultura (INC) focou na população indígena, ao produzir material de orientação aos ticunas do município de Benjamin Constant. Já o Instituto de Ciências Exatas calculou cenários após a pandemia, dependendo do comportamento das pessoas.
O Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia da universidade (Icet/Ufam), localizado em Itacoatiara, trabalha em parceria com as autoridades locais de saúde na prevenção e conscientização da população, com o intuito de conter as transmissões por Covid-19 na região.
As ações incluem a fabricação e distribuição de álcool em gel em pontos estratégicos e a diluição de álcool para que possam ser utilizados de forma eficaz na higienização dos ambientes nas unidades de saúde.
Responsável pela fabricação do álcool em gel, o professor Flávio Nogueira da Costa destacou a integração entre universidade, prefeitura e Secretaria Municipal de Saúde no enfrentamento à pandemia.
“Do ponto de vista social, a universidade engaja-se numa luta que é de toda a sociedade. A Ufam contribui com orientações e também na fabricação de materiais básicos necessários para conter o avanço da doença na cidade. A fabricação de álcool em gel no Instituto é uma forma de ajudar a sociedade com um produto que está em falta no mercado”, afirmou o professor.
O Instituto de Natureza e Cultura (INC), unidade acadêmica da Ufam no município de Benjamin Constant, produziu material voltado a orientar indígenas da etnia Ticuna sobre como combater a Covid-19, doença declarada como pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A iniciativa e da professora Taciana de Carvalho Coutinho, do Colegiado de Ciências: Biologia e Química do INC. Ela atua há quase 11 anos no instituto e contou como a ideia da campanha ‘Fica na Comunidade’ surgiu.
“A minha ideia, inicialmente, era reunir, via WhatsApp, nossos alunos indígenas para passar algumas orientações, considerando a expressiva presença dos indígenas nas cidades, pois eles saem das comunidades para venderem seus alimentos nas ruas, mercados, na beira dos rios, sendo bastante vulneráveis à contaminação. Então, eu passei algumas frases para que fossem traduzidas para a língua ticuna e a campanha foi sendo construída como um apelo para eles ficarem em suas comunidades e deixarem apenas os não-índios comprarem no supermercado”, disse.
Já o Instituto de Ciências Exatas da Ufam publicou um alerta que leva em consideração os números. Com dados, o departamento estimou o que deve acontecer com o sistema público de saúde em prováveis cenários da pandemia.
O setor faz uma perspectiva matemática a partir da pergunta “Se não tomarmos as medidas necessárias em Manaus, será que haverá casos em que os médicos terão que decidir quem viverá e quem morrerá?”.
“Nós ouvimos bastante a afirmação de que 80% das pessoas infectadas se sairão bem e que só uma pequena porcentagem (em torno de 2%) precisará de hospitalização. As estatísticas mostram isso de fato, o que pode parecer relativamente tranquilizador. Mas a aparente inocência desta afirmação esconde uma realidade que pode se tornar bem mais nefasta”, diz o texto.
O instituto faz uma estimativa com base no primeiro caso confirmado de Coronavírus no Amazonas, cuja informação foi divulgada pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), no dia 13 deste mês.
“Ora, sexta-feira, dia 13/03/2020 foi confirmado o primeiro caso em Manaus. Porém existem estimativas que haja para cada caso confirmado, aproximadamente 9 casos que permanecem ocultos. Isto é, sexta-feira, dia 13/03, provavelmente já havia 10 casos em Manaus. Se as medidas destinadas ao controle forem insuficientes, os casos podem dobrar a cada 6 dias. Podemos calcular que em 66 dias teremos então 20.480 casos e em 72 dias, 40.960 casos”, projeta.
Ao analisar os dados, o departamento alerta para a quantidade de unidades de tratamento intensivo (UTI), no Amazonas. “Em Manaus há 271 leitos de UTI disponíveis. Portanto, não haverá leitos suficientes para os pacientes que chegarão neste intervalo de 6 dias (claro que a situação é ainda pior, pois alguns leitos já estarão ocupados por outros pacientes da COVID-19 que ingressaram nessas dependências ao longo das semanas anteriores e as estadias em UTI tendem a ser longas. Fazendo uma analogia, não haverá paraquedas suficientes para todos os passageiros em um avião que está caindo. Os médicos terão que decidir quem ocupará os leitos de UTI disponíveis, isto é, eles terão que decidir quem viverá e quem morrerá. Isso é uma perspectiva assustadora”, diz.
O texto que traz a perspectiva é assinado por Wilhelm Alexander Cardoso Steinmetz, que sugere: para diminuir as chances de um desfecho tão assustador, sugere-se que medidas urgentes sejam tomadas por toda a população.