
Indústria e comércio pedem ajuda ao Governo do Estado para enfrentar coronavírus. Foto: Secom
O governador Wilson Lima está promovendo uma série de reuniões com diversos setores da sociedade para comunicar as ações do Governo do Estado e alinhar medidas de prevenção ao novo coronavírus (Covid-19).
Wilson Lima transferiu o gabinete para o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), onde estão acontecendo as reuniões diárias do Comitê Intersetorial de Enfrentamento e Combate ao Covid-19.
Nesta quarta-feira (19), o governador teve encontro com representantes de associações comerciais, empresariado e da indústria, incluindo os shoppings e centros de compras, além do setor de atacado e varejo e supermercados.
Durante a reunião ficou definido que o comércio continuará funcionando normalmente, sem intervenções do governo, no momento. Em outros Estados e países, durante a pandemia, o Poder Executivo determinou o que chamam de “lockdown”, fechamento de tudo. As aulas seguem suspensas e a rotina dos servidores públicos foi alterada, com entrada de colaboradores em horários diferenciados e implantação do teletrabalho ou home office.
Nos próximos dias, o governo deve reunir com autoridades ligadas aos aeroportos, Infraero e Anvisa, para receber relatórios sobre procedimentos de triagem feitos com pessoas entrando no Amazonas, que possam apresentar sintomas do Covid-19. Wilson Lima ainda conversou com os governadores do Amapá, Pará, Acre e Roraima sobre o fechamento de fronteiras. Fronteiras internacionais estão fechadas com o Peru, Colômbia e Venezuela.
O governador informou que o Amazonas está no que se chama de estágio 1 para a doença, com apenas dois casos confirmados. Mas que o cenário é muito instável e a cada dia tudo pode mudar. Neste cenário já há conclusão de crise financeira e há um trabalho para fazer contingenciamento de despesas e remanejamento de recursos, especialmente para a área da saúde, maior demandada no momento da pandemia.
Segundo o governador, as secretarias farão um levantamento das empresas que prestam serviço para o Estado para que aquelas que tenham capacidade ociosa possam auxiliar nas ações de combate à disseminação do Covid-19.
“Estamos trabalhando e fazendo um apelo à iniciativa privada também que nos ajude nesse sentido porque o Estado sozinho não consegue conter essa pandemia. É necessário que haja consciência de todo mundo. É o caso da empresa poder ceder espaço de call center para o Governo do Estado, é o caso de empresas que possam ter álcool em gel fornecer para o Governo do Estado, de repente ofertar profissional da área de saúde, enfim, toda ação de empresas que prestam serviço para o Estado para que elas possam reverter essa capacidade ociosa para prestar atendimento em caso de um agravamento do coronavírus”, pontuou o governador.
Vários empresários ofereceram diversas sugestões e propostas para que seja construído um trabalho de defesa em conjunto para que a economia do Estado não seja tão prejudicada.
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM) informou números do setor do varejo e mostrou a preocupação com a economia, informando ainda que está orientando seus associados a tomarem todas as medidas de prevenção. A CDLM sugeriu corte de multas em relação a atrasos decorrentes de pagamentos do ICMS; redução a zero para todos os produtos álcool em gel e máscaras, e apoio às empresas de delivery.
Segundo a Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), algumas empresas já podem parar em razão da falta de insumos e sugeriu a suspensão de contratos de trabalhos, em alguns casos, com amparo de trabalhadores pelo FAT.
A Associação Brasileira dos Shoppings (Abras) disse que os 10 centros de compras em operação na capital geram 11 mil empregos, somando 1.477 lojas. Para minimizar o impacto na redução do consumo e seguir recomendações do Ministério da Saúde, uma das medidas adotadas é a redução do horário de funcionamento, de 12h às 20h.
A Associação de Empresários do Vieiralves (AEV) relatou ter sofrido uma redução drástica de faturamento nos últimos dias, sem comparativo e sem precedentes, em razão da pandemia. As lojas, no momento, continuarão a funcionar em horário normal, também em razão, segundo a AEV, de não terem aglomeração de pessoas.
A Abrasel contabilizou que o setor de restaurantes, bares e afins gera 80 mil empregos no Estado e que estão buscando alternativas, como incentivo ao delivery, para melhorar a sensação de esvaziamento, provocada pelo isolamento natural e necessário em relação ao coronavírus.
“(Precisamos) entender as atividades econômicas, como é que nós devemos proceder com as atividades econômicas, com a presença naturalmente dos técnicos da Fundação de Vigilância em Saúde, resguardando a atividade econômica, mas sobretudo protegendo o nosso cidadão e o nosso povo desse vírus”, disse Wilson Lima.
O governador destacou que todas as medidas que o Governo do Estado vem adotando estão em sintonia com as recomendações e protocolos do Ministério da Saúde. conforme ele adiantou, será assinado um novo decreto para alterar a escala de serviço do funcionalismo público estadual com o objetivo de evitar aglomeração nas secretarias e nos horários de pico de entrada e saída. Ele reforçou, ainda, que os serviços essenciais nas áreas de saúde e segurança não serão prejudicados.
“Serviços de saúde têm que continuar funcionando, disso nós não abrimos mão, inclusive suspendi férias dos servidores da área de saúde e estou reforçando o efetivo. A segurança pública também não pode parar, nós estamos inclusive reforçando a questão do efetivo, vamos diminuir o serviço administrativo da segurança pública, mas na rua a gente não pode parar e nosso efetivo vai continuar fazendo as operações normalmente até pra que a gente possa evitar qualquer incidência social, qualquer tumulto”, afirmou.
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