12/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Fenaj apoia Dora Tupinambá e repudia conduta de Sikera Júnior; jornalista é alvo de ataque nas redes sociais

Publicado em 05 de março, 2020

Fenaj apoia Dora Tupinamba e repudia conduta de Sikera Júnior; jornalista é alvo de ataque nas redes sociais

Fenaj apoia Dora Tupinambá e repudia conduta de Sikera Júnior; jornalista é alvo de ataque nas redes sociais. Foto: Reprodução

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), por meio da sua Comissão de Mulheres, emitiu nota de solidariedade para a jornalista Auxiliadora Tupinambá (Dora), presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas (SJP-AM), vítima de ataques machistas e ódio destilado por meio das redes sociais nesta quarta-feira (04/03).

Conforme a nota da Fenaj, Dora Tupinambá foi agredida virtualmente pelos seguidores do também jornalista José Siqueira Barros Junior (Sikera Júnior), apresentador da TV A Crítica, de Manaus, que utilizou seu perfil no Instagram para atacar a presidente do SJP-AM por conta de uma nota de repúdio emitida pela entidade sindical contra a conduta antiética do profissional de televisão.

Fenaj apoia

No último fim de semana, Sikera Júnior publicou um vídeo em suas redes sociais digitais desqualificando os jornalistas. Tal postura foi condenada pelo sindicato da categoria no Amazonas, uma vez que a fala do apresentador de TV agrediu a função social e a ética do Jornalismo.

Descontente com a manifestação pública do SJP-AM, Sikera Júnior divulgou, nesta quarta-feira (04/03), imagens da presidente do Sindicato no Instagram, em tom de deboche, com a legenda “Essa e Dora tupinambá Presidente do sindicato dos Jornalistas do AMAZONAS. A que fez nota de repúdio contra mim! Tá explicado” (SIC).

O que se segue à postagem do apresentador é uma série de insultos e ofensas de cunho machista à jornalista, que é a representante do Amazonas na Comissão de Mulheres da Fenaj. A federação repudia a atitude do apresentador de expor uma dirigente sindical e alimentar ataques em função do seu gênero.

A nota da federação afirma que Sikera Júnior é conhecido nacionalmente por expor, nos programas que apresenta, seu machismo, sexismo e misoginia – “condutas intoleráveis a um profissional do jornalismo e que ferem o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Em 2018, quando trabalhava na TV Arapuan, na Paraíba, o apresentador agrediu, em seu programa, uma jornalista e cantora de rap paraibana por ela ter se posicionado de maneira contrária às suas falas machistas”.

Concessões públicas

A Fenaj reforça que as emissoras de televisão são concessões públicas e, portanto, seus funcionários devem cumprir a legislação brasileira e os tratados internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário. Dessa forma, a Comissão de Mulheres da Fenaj exige da TV A Crítica que tome providências com relação ao comportamento de Sikera Júnior, que costumeiramente destila preconceito e ódio por onde passa.

“No mês de luta das mulheres, a Fenaj coloca-se à disposição de todas as vítimas do apresentador, na pessoa de Dora Tupinambá. E reafirma que não se calará diante de figuras que maculam o real propósito do trabalho dos jornalistas e do próprio Jornalismo, uma vez que é dever do profissional defender os direitos do cidadão e da cidadã, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias”.

Veja a nota do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas:

NOTA DE REPÚDIO

SINDICATO DOS JORNALISTAS REPUDIA PROPOSTA DE FILTRO IDEOLÓGICO PARA CONTRATAR JORNALISTA

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJP-AM) vem a público REPUDIAR as declarações feitas pelo apresentador José Siqueira Barros Junior (Sikêra Júnior), da TV A CRÍTICA, veiculada em suas mídias digitais no último fim de semana, por meio de vídeo, quando tenta desqualificar os profissionais de jornalismo. A fala do apresentador de TV agride a função social e a ética do Jornalismo e os jornalistas; tenta enquadrá-los em uma percepção reducionista e deformada do que é o exercício jornalístico ao afirmar que na maioria das redações dos jornais e das TVs tem aqueles que “escrevem contra o País” e “que só querem atrapalhar”.

Mais do que isso, propõe a forma mais primária de manipulação da informação, que é tudo o que Jornalismo não é: colocar pessoas favoráveis a uma ideologia para trabalharem, supostamente, em favor dela.

As críticas dirigidas a outras emissoras na fala deste senhor também insinua que os jornalistas que estão hoje nas redações não são sérios; até mesmo os da emissora em que trabalha, uma vez que cita o termo “toda empresa tem um cara que cria problema”.

O SJPAM defende não apenas o registro profissional como também o DIPLOMA de jornalismo como critério imprescindível ao exercício profissional. E embora ao longo dos anos os profissionais que atuaram – e alguns que ainda atuam – na emissora que ele trabalha, tenham formação acadêmica, não eram registrados como tal na carteira de trabalho, contribuindo desta forma para a precarização da profissão.

A fala do apresentador enuncia ainda a postura autoritária com a qual pretende se estabelecer e fazer escola no Estado do Amazonas e na cidade de Manaus. Na condição de radialista e jornalista, desrespeita seus próprios colegas de profissão. A ideia de que “o Brasil vai começar a mudar” a partir desse tipo de guardiões não é nova, outros com a mesma postura de xerife já desfilaram na história do Jornalismo no Brasil e no Amazonas. Descobriram da pior maneira que a sociedade não aceita o xerifado, venha de onde vier, e os jornalistas, em diferentes frentes de batalha, reposicionaram o exercício legal, legítimo e responsável da profissão.

É lamentável e perigoso que no século XXI, pessoas que atuam na área da comunicação ainda se refiram a jornalistas esquerdistas nas redações de jornais e TVs. Mais que uma leitura atrasada, esta é a expressão da hipocrisia e da subserviência como arranjos da prática da dissimulação regiamente paga com recursos públicos para assegurar a escrita jornalística a favor ou a voz única da verdade. Sikêra Junior revela-se adesista da “renovação” jornalística que não aceita mudança nem ruptura na realidade do Brasil e do Amazonas, no entanto, beneficia-se com ela.

Jornalistas têm outra responsabilidade e outro compromisso, independente do credo religioso e da sua posição ideológica. É direito constitucional. O compromisso do jornalismo é com a verdade e, por isso, ele é um dos pilares de qualquer sociedade democrática. Nesse sentido, o papel da imprensa, é levar informação às pessoas. Expor fatos e não comprar versões partidárias, seja ela de esquerda ou de direita, e, muito menos expor suas crenças pessoais.

O jornalismo e o jornalista, no fazer jornalístico, não podem ser guiados por ideologia, senão, fogem ao seu real propósito. “O papel do jornalista é investigar. O dos políticos, é prestar contas”, disse Martin Baron, editor do Washington Post que chefiou, em 2002, a equipe do jornal Boston Globe que investigou abusos sexuais cometidos por clérigos da Igreja Católica. O caso deu origem a “Spotlight”, que ganhou o Oscar de melhor filme em 2016.

“O governo é a instituição mais poderosa que existe em qualquer país. E nosso dever é fazer as instituições poderosas prestarem contas à sociedade”, escreveu. E isto é tudo o que esse senhor apresentador não defende. Com que interesses?

O Brasil e o Amazonas continuarão a mudar como parte do processo histórico e, neste, o jornalismo tem função relevante para revelar os cenários, os parasitas, os fascistas e aproveitadores ocasionais. Eles passarão! Lutemos, jornalistas!

Manaus- AM, 02 de março de 2020

DIRETORIA
SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS NO ESTADO DO AMAZONAS – SJPAM

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