30/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Presidente regional do PMN deixa partido e alega sofrer pressão de grupo ligado a ex-governador

Publicado em 02 de março, 2020

Presidente regional do PMN deixa partido e alega sofrer pressão de grupo ligado a ex-governador

Presidente regional do PMN deixa partido e alega sofrer pressão de grupo ligado a ex-governador. Foto: Divulgação

Em setembro do ano passado, o advogado Marcelo Amil, além de ser o presidente regional do Partido da Mobilização Nacional (PMN) no Amazonas, era lançado como pré-candidato a prefeito para as eleições de 2020.

Menos de 5 meses depois, nesta segunda-feira (2), o pré-candidato anunciou não só a saída da direção como da legenda, deixando o PMN. Em nota divulgada pela assessoria do advogado, a mudança decorre de decisão do diretório nacional. A gestão dele terminaria em maio deste ano.

Presidente regional

Amil deve procurar um novo partido que “se alinhe o seu pensamento ideológico e que tenha um projeto viável para a cidade de Manaus”, segue a nota. Em carta do advogado, Amil diz que soube da sua destituição do cargo ao consultar o site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM).

No site do partido, os nomes do novo presidente e vice aparecem como de Elson Marcelo Lima de Souza e Marco Antonio da Silva, respectivamente.

Na carta do advogado, ele conta que desde janeiro vem “recebendo pressões para receber no partido um grupo ligado ao ex-governador Amazonino Mendes”.

Recusa

“Recusei-me. Conversei, por ordem do presidente nacional, com pessoas desse grupo. Ouvi deles que seria passado um trator por cima de mim. Eu disse que esperaria o trator porque quis acreditar que o estatuto do partido seria respeitado, que um partido estatutariamente socialista não se renderia a qualquer coisa que não fosse sua ideologia. Infelizmente, eu estava enganado”, relata o ex-presidente do diretório.

Leia a carta na íntegra:

Por esta carta torno público que não sou mais o presidente estadual do PMN Amazonas.
Em julho de 2019, eu fui chamado à convenção nacional do partido em São Paulo, onde eu sequer era convencional, e recebi do presidente Carlos Massarollo o convite para ser presidente do partido. Aceitei o desafio.

Encontrei um partido com prestações de contas vencidas, com contas bancárias encerradas, com diretórios irregulares, sem sede e sem nenhuma relevância na política local. Dediquei meus dias a mudar isso. Construímos diretórios, apresentamos uma alternativa à cidade de Manaus. Apesar dos assédios, conseguimos arregimentar mais de cinquenta pré-candidatos a vereador(a).

Demos vida ao partido nomeando uma coordenação do PMN Diversidade, fomos pioneiros na luta pelo respeito orientando nossos diretórios a reservar vagas para candidatos LGBTQ+. Inserimos o PMN nas comunidades através da criação de zonais. Iniciamos a realização de cursos de formação política para nossos militantes nas comunidades. Criamos um webprograma exclusivo para divulgar o partido. Já tínhamos datas para nomear a coordenação de mulheres e o PMN jovem. Colocamos o PMN no centro do debate político sobre a sucessão à Prefeitura de Manaus. Transformamos o PMN num partido de verdade.

Desde o mês de janeiro, eu venho recebendo pressões para receber no partido um grupo ligado ao ex-governador Amazonino Mendes. Recusei-me. Conversei, por ordem do presidente nacional, com pessoas desse grupo. Ouvi deles que seria passado um trator por cima de mim. Eu disse que esperaria o trator porque quis acreditar que o estatuto do partido seria respeitado, que um partido estatutariamente socialista não se renderia a qualquer coisa que não fosse sua ideologia. Infelizmente, eu estava enganado.

Na manhã de ontem (1º), eu fui surpreendido com a desativação do diretório que eu presidia, e hoje visualizei no site do TRE a nomeação de uma nova direção. Lamento que o presidente Massarollo, que me pediu pra ir à SP onde me convidou a presidir o partido, não tenha tido a hombridade de me telefonar para dizer que eu não seria mais presidente. Minha gestão iria em tese até maio de 2020.

Infelizmente, o trator do atraso passou por cima das flores do futuro. Sigo meu caminho defendendo tudo em que sempre acreditei. Me alegra saber que a esmagadora maioria dos companheiros que fiz no PMN se dispôs a continuar na caminhada, pois quem mudou não fomos nós, foi o PMN. Agradeço a todos os apoiadores e, principalmente, aos jornalistas que sempre abriram o espaço para o debate saudável de temas relevantes a nossa sociedade.

Manaus, 02 de março de 2020

Marcelo Amil

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