
Com falta de peças no Brasil, Zona Franca ainda não sentiu efeito coronavírus na indústria; estoques duram até 90 dias. Foto: Divulgação
Com uma logística diferenciada diante das peculiaridades da região distante dos grandes portos e centros, a Zona Franca de Manaus ainda não sentiu a falta de componentes industriais produzidos na China, onde fábricas estão paradas devido à epidemia global do coronavírus.
Segundo a Superintendência da Zona Franca (Suframa), as empresas locais tem estoques de 60 a 90 dias. O superintendente Alfredo Menezes disse ainda não ter ouvido nenhum relato de indústria que tenha parado as atividades por causa do Covid-19 ou até mesmo reduzido produção em razão da falta de peças importadas.
Menezes, ao contrário, tem feito uma aposta otimista de que, neste período de até três meses, com o “esforço mundial na busca de uma solução, em especial por parte da China – que seria a principal interessada em retomar o comércio – os problemas envolvendo o Covid-19 devam estar contornados”.
No Brasil, mais de 80% dos componentes usados na produção de eletroeletrônicos em 2019 vieram da China ou de outros países asiáticos próximos, também afetados pelo coronavírus. Sem as peças, a produção para.
Empresas brasileiras instaladas em São Paulo, especialmente, já sofrem, ao contrário de Manaus, os impactos da parada de produção na China, dando férias coletivas e adiando lançamentos por causa da falta de componentes industriais.
Cerca de 30 mil funcionários de empresas de tecnologia da informação, como de celulares e computadores, começam a mudar linhas e horários.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, que levou em conta pesquisa feita com 50 empresas do setor, a produção do primeiro trimestre deverá ficar 22% abaixo da inicialmente projetada por essas companhias em razão do coronavírus.
Os suprimentos não podem vir de outro país no momento, o que agrava a situação. Conforme a Abinee, na semana passada 57% das empresas já apresentavam problemas, 4% operavam com paralisação parcial e 15% planejavam paradas parciais.
Fábricas como Motorola e LG estão com linhas de montagem paralisadas ou atividade reduzida pela falta de peças, como também a Flextronics, que deu férias coletivas para funcionários em fevereiro.
A atividade industrial na China sofreu um baque desde o início do ano devido ao surto do coronavírus. As fábricas tiveram que interromper a produção para evitar o contágio entre seus funcionários, e o governo chegou a estender o feriado do Ano Novo Chinês para fazer com que as pessoas fossem menos a espaços públicos, onde poderiam infectar os outros ou serem infectados.
A Apple, por exemplo, já anunciou a investidores que seus resultados do trimestre estarão abaixo do esperado porque suas vendas foram afetadas pela dificuldade em suprir a demanda pelos seus produtos. Mesmo após a retomada das atividades, o ritmo de produção ainda está abaixo do normal.
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