11/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Com falta de peças no Brasil, Zona Franca ainda não sentiu efeito coronavírus na indústria; estoques duram até 90 dias

Publicado em 29 de fevereiro, 2020

Com falta de peças no Brasil, Zona Franca ainda não sentiu efeito coronavírus na indústria; estoques duram até 90 dias

Com falta de peças no Brasil, Zona Franca ainda não sentiu efeito coronavírus na indústria; estoques duram até 90 dias. Foto: Divulgação

Com uma logística diferenciada diante das peculiaridades da região distante dos grandes portos e centros, a Zona Franca de Manaus ainda não sentiu a falta de componentes industriais produzidos na China, onde fábricas estão paradas devido à epidemia global do coronavírus.

Segundo a Superintendência da Zona Franca (Suframa), as empresas locais tem estoques de 60 a 90 dias. O superintendente Alfredo Menezes disse ainda não ter ouvido nenhum relato de indústria que tenha parado as atividades por causa do Covid-19 ou até mesmo reduzido produção em razão da falta de peças importadas.

Com falta de peças

Menezes, ao contrário, tem feito uma aposta otimista de que, neste período de até três meses, com o “esforço mundial na busca de uma solução, em especial por parte da China – que seria a principal interessada em retomar o comércio – os problemas envolvendo o Covid-19 devam estar contornados”.

No Brasil, mais de 80% dos componentes usados na produção de eletroeletrônicos em 2019 vieram da China ou de outros países asiáticos próximos, também afetados pelo coronavírus. Sem as peças, a produção para.

Empresas

Empresas brasileiras instaladas em São Paulo, especialmente, já sofrem, ao contrário de Manaus, os impactos da parada de produção na China, dando férias coletivas e adiando lançamentos por causa da falta de componentes industriais.

Cerca de 30 mil funcionários de empresas de tecnologia da informação, como de celulares e computadores, começam a mudar linhas e horários.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, que levou em conta pesquisa feita com 50 empresas do setor, a produção do primeiro trimestre deverá ficar 22% abaixo da inicialmente projetada por essas companhias em razão do coronavírus.

Férias e paradas

Os suprimentos não podem vir de outro país no momento, o que agrava a situação. Conforme a Abinee, na semana passada 57% das empresas já apresentavam problemas, 4% operavam com paralisação parcial e 15% planejavam paradas parciais.

Fábricas como Motorola e LG estão com linhas de montagem paralisadas ou atividade reduzida pela falta de peças, como também a Flextronics, que deu férias coletivas para funcionários em fevereiro.

Fábricas na China

A atividade industrial na China sofreu um baque desde o início do ano devido ao surto do coronavírus. As fábricas tiveram que interromper a produção para evitar o contágio entre seus funcionários, e o governo chegou a estender o feriado do Ano Novo Chinês para fazer com que as pessoas fossem menos a espaços públicos, onde poderiam infectar os outros ou serem infectados.

A Apple, por exemplo, já anunciou a investidores que seus resultados do trimestre estarão abaixo do esperado porque suas vendas foram afetadas pela dificuldade em suprir a demanda pelos seus produtos. Mesmo após a retomada das atividades, o ritmo de produção ainda está abaixo do normal.

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