08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

MAP, que deixou turistas do Carnailha na mão, tem obrigações por incentivos

Publicado em 27 de fevereiro, 2020

MAP deixou turistas do Carnailha na mão, mas tem obrigações por incentivos que recebe na região. Foto: Yuri Pinheiro/Prefeitura de Parintins

A MAP Linhas Aéreas/Passaredo, empresa que cancelou voos em pleno Carnaval – prejudicando turistas que iriam prestigiar o Carnailha, em Parintins – tem obrigações em prestar serviço de qualidade no Amazonas, já que recebe incentivos fiscais para atuar no Estado. A companhia está entre as beneficiadas pelo redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para querosene e gasolina de aviação, medida que entrou em vigor em 2009.

Lei publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), em 3 de setembro de 2009 concede incetivos fiscais a empresas que prestam serviço de aviação no Amazonas, entre elas a MAP.

“Fica reduzida a base de cálculo do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS nas operações internas com querosene de aviação (QAV) e gasolina de aviação (GAV) de forma que a carga tributária corresponda a 7% (sete por cento)”, informa o texto inicial da lei.

Para se ter ideia do valor do percentual do incentivo, o valor da alíquota para essas empresas caiu de 25% para 7%. As empresas contempladas com a redução do IMCS devem prestar serviço regular de transporte aéreo de passageiros para, no mínimo, quatro municípios amazonenses.

A lei diz que as empresas de transporte devem produzir um plano de negócios a ser apresentado ao Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam). As companhias contempladas pelo incentivo “deverão cumprir o plano de negócios aprovado, sob pena de nulidade do ato que lhe concedeu o benefício”. Além disso, essas empresas “estarão sujeitas ao acompanhamento, avaliação e fiscalização de suas atividades” pela Seplanct e pela Sefaz, conforme as competências de cada uma dessas secretarias.

No dia 27 de janeiro deste ano, o Codam homologou parecer técnico que concede o incentivo fiscal à MAP. “As sociedades empresárias beneficiadas se comprometem a cumprir o plano de negócios aprovado pelo Codam e o regime especial concedido pela Sefaz, sob pena de perda do benefício”, diz o texto da resolução.

Transtornos a passageiros

Entre a última terça-feira (25) e esta quinta-feira (27), a MAP causou prejuízos a passageiros com destino a Parintins. Os turistas programaram as viagens para participar da programação do Carnailha 2020.

Em nota, a Prefeitura de Parintins tornou público o seu “mais veemente protesto contra a empresa aérea” pelo desserviço prestado ao povo de Parintins e de todo o Amazonas.

A nota cita que a empresa deixou na mão pessoas que compraram passagens de ida e volta. “A falta de profissionalismo chega ao maior grau de desrespeito a seus clientes. Exemplo bem claro dessa desordem é o cancelamento dos voos dos dias 25, 26 e 27, com graves prejuízos aos seus passageiros que adquiriram bilhetes de ida e volta para participar do Carnailha”, diz a Prefeitura de Parintins.

De acordo com a prefeitura da ilha, todo o investimento que se fez na cidade para atrair visitantes e turistas esbarra na “ineficiência dessa companhia que possui um rico histórico de irresponsabilidade”. A Prefeitura de Parintins ficou de acionar os órgãos responsáveis pelo setor para comunicar a situação.

Situação vem se repetindo

Desde o ano passado, entre os meses de novembro e dezembro, a direção da MAP Linhas Aéreas/Passaredo fez uma série de cancelamentos, inclusive chegando a suspender voos para cidades do interior, alegando, especialmente, que o motivo seria a falta de estrutura dos aeroportos nos locais afetados. A informação foi dada pelo gestor da empresa, Eric Consoli.

O gestor esteve na Assembleia Legislativa, em novembro de 2019, e defendeu a atitude da empresa, argumentando o mesmo motivo. “São questões simples de resolver. Basta alguns ajustes nos aeroportos, como por exemplo, no de Eirunepé. O local precisa de uma restrição na área para impedir que animais, como gado, estejam na pista na hora de saída ou chegada da aeronave”, disse, à época.

Os voos cancelados no interior do Amazonas foram para Barcelos, Coari, Eirunepé e Tefé. Já para São Gabriel da Cachoeira, Parintins, Carauari e Lábrea, de acordo com o gestor, houve apenas a suspensão.

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