20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Combate à fome

Publicado em 06 de fevereiro, 2020

No mundo, cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto; existem 1 bilhão de analfabetos; 1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza, destas, 630 milhões são extremamente pobres, com renda per capta anual bem menor que 275 dólares; 1,5 bilhão de pessoas sem água potável; mais de 820 milhões de pessoas passando fome; 150 milhões de crianças subnutridas com menos de 5 anos; 12,9 milhões de crianças morrem a cada ano antes dos seus 5 anos de vida.

A fome é, sem dúvida, um dos maiores flagelos da humanidade, tendo em vista a sua relação direta com a miséria, a humilhação e a forma desumana de sobrevivência, se transformando num dos grandes desafios mundiais visando a sua erradicação. De norte a sul, de leste a oeste, lá está ela sempre imponente, destruindo vidas, deteriorando e matando seres humanos, transformando famílias inteiras em indivíduos apenas viventes.

A fome está mais presente na África e América, onde parte de sua população é condenada à morte por não ter como se alimentar. Este flagelo atinge as populações pobres das cidades e do campo, não sendo algo ocasional, mas o resultado de um processo histórico complexo que se arrasta desde a colonização.

No caso da América e da África, a situação se agravou com a política imperialista desencadeada ao longo do século XX. Além do processo histórico, contribui também para o aumento da fome no planeta, fatores como o desemprego estrutural, cujos índices alcançaram o seu ponto máximo nos últimos 20 anos, fruto da política de globalização que atinge o planeta e do neoliberalismo no âmbito econômico.

Há hoje, um amplo consenso de que o mais terrível dos efeitos da miséria, a fome, não é causada pela falta de produção de alimento, mas pela falta de rendas das famílias para adquirir os alimentos com a qualidade necessária e na quantidade adequada. Além disso, outros fatores como os gastos desnecessários das gestões públicas e privadas, a corrupção, a sonegação fiscal, a falta de planejamento estratégico capaz de combater tenazmente esse problema.

Para piorar, o que é desperdiçado diariamente seria suficiente para alimentar não apenas essas pessoas, mas também aqueles que têm pouco acesso à comida e estão em estado de subnutrição. A FAO estima que um terço de todos os alimentos produzidos no mundo seja jogado ainda em boas condições para consumo, quantidade suficiente para alimentar pelo menos 800 milhões de pessoas.

Estimativas da ONU indicam que das pessoas que convivem diariamente com a fome no mundo pelo menos nove milhões estão no Brasil. Dentre elas, cerca de sete milhões não têm sequer perspectiva de quando será sua próxima refeição.

A implantação de políticas estruturais para erradicar a fome e a miséria requer algum tempo para produzir frutos consistentes, mas a fome não espera, segue matando a cada dia, produzindo desagregação social e familiar, doença, desespero e violência.

O combate à fome, não se pode limitar às doações, bolsas ou projetos de caridade que contemplam um só dia no mês ou no ano. É plenamente possível erradicar a fome por meio de ações integradas, que aliviem as condições de miséria, articuladas a uma política econômica que garanta a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), além do que se pode adotar uma política de geração de emprego e renda que possa trazer um novo tipo de desenvolvimento.

Por fim, é necessária uma cruzada envolvendo toda a sociedade, governo, empresários e a população em geral a um programa que erradique a fome no Brasil, e que não sejam apenas políticas compensatórias, que deixam o povo dependente e próximo da mendicância, acostumando mal e até mesmo desmobilizando a sociedade.

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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