
Josué Neto X Carlos Almeida, com Wilson Lima na saia justa entre os dois, não esconderam a tensão das relações durante a abertura do ano legislativo. Foto: Tacio Melo/ Secom/ Divulgação
“Não tenho relação nenhuma com o vice-governador Carlos Almeida”. “A Assembleia é composta por diversos parlamentares e a relação do Governo (com a maioria) é harmônica”. Foi assim, sem esconder a animosidade, que o presidente da Assembleia do Amazonas (Aleam), Josué Neto, e o vice-governador Carlos Almeida reagiram, nesta terça (04/01), à tensão entre os dois. Sobrou para o governador Wilson Lima colocar panos quentes: “As relações têm que ser institucionais e a do Governo com a Assembleia é excelente”, garantiu.
Houve a tradicional demonstração pública de que a rusga existe. Depois de afirmar, no Portal Tucumã, disposição para “tacar (tucumã) na cabeça do vice”, Neto se recusou a cumprimentá-lo. Quando as autoridades desceram, para a entrevista coletiva, esta se tornou a principal pauta. Wilson Lima foi à Aleam para abrir o ano do Legislativo, com a tradicional leitura da mensagem governamental.
Neto, ressentido, chegou a dizer que “só há relação de um lado”, em relação ao vice. “A relação institucional vai sempre ser pautada pela constitucionalidade. A questão da independência e da harmonia sempre terá. O governador terá, da minha parte, como presidente da assembleia, respeito, dentro da constitucionalidade, de homens de família e bem. Nas demais questões existe uma grande rede de intriga, uma grande rede de armações e traições”.
O presidente da Aleam deu sinais de que, nos bastidores, já existe bombeiros atuando para apagar o incêndio. “Existe uma tendência em extinguir isso. Até porque não teremos mais nenhum tipo de atravessadores nos nossos diálogos”, disse Josué Neto. Mas continuou cutucando: “Existe uma relação e uma não relação”, concluiu.
Carlos Almeida também conversou com jornalistas. “O que precisamos, da relação entre os poderes, é daquilo que a Constituição exige: uma relação de maturidade. Têm pessoas que compreendem de forma mais institucional as relações e outras que não. Isso faz parte do processo”, declarou.
O vice-governador comentou as declarações de Josué Neto. “Eu acho que cada pessoa fala sobre seus próprios sentimentos. O meu trabalho aqui é realizar uma missão. Eu estou ajudando o governador para que possamos, efetivamente, implementar políticas públicas. Isso exige que certas situações sejam colocadas de forma clara. Outras não”.
Carlos Almeida reconheceu as dificuldades. “Ao longo de 2019, como o governador registrou na mensagem, foi ano de construção, extremamente difícil. Há gente que consegue aguentar os dissabores que vêm pela frente e há outras que não “, completou.
Almeida lembrou que “poderes são compostos por pessoas”. “O Legislativo se compreende de um corpo de parlamentares e a nossa relação com a assembleia é extremamente harmônica. É uma relação onde nós estamos sempre caminhando, no sentido de construção de políticas públicas”, disse.
O vice fez questão de afastar o principal motivo da polêmica com Neto, uma possível candidatura à Prefeitura de Manaus. “Uma coisa eu posso dizer, claramente, que eu já disse diversas vezes: eu não sou candidato. Mas aqui no Amazonas já houve gente que registrou, em cartório, que não seria candidato e depois acabou sendo”, disse. “A minha história registra, muito claramente, ênfase nas minhas palavras. Tenho 15 anos de atuação pública e sempre deixei muito clara a minha condição: não sou candidato”, repetiu.
Almeida também respondeu a perguntas sobre a proximidade de Josué Neto com o Governo Federal. Neto defende pautas do presidente Jair Bolsonaro e ajudou nas assinaturas para criação do Aliança Pelo Brasil. “Toda proximidade com o Governo Federal é importante. Não interessa quais sejam os fatores. Até porque tem uma questão que é muito importante, a nossa conexão com a administração federal. O Amazonas tem peculiaridades que exigem mais arautos falando pelo Estado. Não interessa quais sejam. Qualquer pessoa que venha somar pela causa, que é do Amazonas, pela Zona Franca, é importante. Se essa relação se estreita, melhor para o Amazonas”.
Almeida até se mostrou aberto ao diálogo com Josué Neto. “Estou disposto a conversar a qualquer momento e com qualquer um. A propósito, o meu trabalho é fazer inter-relação com todos os poderes. E esse é o trabalho que eu faço, permanentemente, de segunda a segunda, e de manhã até de noite”, afirmou.
O governador Wilson Lima, no meio do fogo cruzado, respondeu a perguntas sobre o atrito. “A relação com a assembleia sempre foi de respeito, de ambos os lados. Na política, cada um carrega e defende suas ideologias da forma que achar necessário”, disse.
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