08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Rede social usada por facções criminosas no Amazonas para anunciar e propagar crimes. Veja como

Publicado em 17 de janeiro, 2020

Rede social usada por facções criminosas, que estão em guerra aberta, para propagar e até anunciar crimes. Polícia monitora

REPORTAGEM DAVID BATISTA

A guerra entre facções criminosas, que produz assassinatos diários em Manaus, percorre cada vez mais abertamente as redes sociais. O confronto Família do Norte (FDN) X Comando Vermelho (CV) aparece em perfis do FaceBook e está disseminado no WhatsApp. Fenix Maciel Mendonça, desaparecido desde 6 de janeiro, teve a morte anunciada no Face. Uma semana depois, o mesmo perfil publicou vídeo com cenas bárbaras da morte dele. O corpo até hoje não foi encontrado.

O exibicionismo vem sendo acompanhado pelas autoridades de segurança pública do Amazonas. “Eles acabam facilitando nosso trabalho”, garante o secretário estadual de Segurança, coronel PM Louismar Bonates. Falando com exclusividade sobre o tema para o Portal do Marcos Santos, ele disse que “o serviço de inteligência acompanha os criminosos físicos e digitais”.

“Impedir esse tipo de publicação, infelizmente, a gente não tem como. O que podemos fazer – e já estamos fazendo – é monitorá-las. Isso sim, estamos fazendo de perto. O importante é que a situação está sob nosso controle”, disse o secretário.

 

Polícia X FDN X CV X fakes

A guerra da polícia contra as facções criminosas, no meio digital, tem muitas nuances. Criminosos reais se escondem numa parafernália de adolescentes querendo posar de bandidos, fakes news (notícias falsas) e robôs. Há aplicativos que, em computadores poderosos, criam milhares de perfis falsos, usados para propagar todo tipo de maldade.

“Temos que identificar o que é verdadeiro, numa procura de agulha no palheiro, para depois iniciar a busca real. É importante destacar que meninos brincalhões, posando de bandidos, também estão cometendo crimes. Por isso é que os pais precisam ficar atentos ao que os filhos fazem nas redes sociais”, avisa um policial.

 

Códigos

Os partidários de Zé Roberto da Compensa, líder da FDN, usam perfis incluindo a expressão “L1″. O “2” identifica soldados do foragido da justiça Mano Kaio do 40. “Mano G” é de Gelson Carnaúba, chefe do CV.

Os perfis exibem armas de pequeno e grosso calibre, ostentam carros e dinheiro provenientes do tráfico ou exibem assassinatos e anunciam alvos. O “criminoso digital” aparece de Norte a Sul do País e pelo mundo afora, numa verdadeira “nova cultura” criminosa.

Há também o escracho e a baixaria, como os apelidos “Fdcu” ou “Cvcu”, usados nas publicações para espicaçar adversários. As facções, apesar de rivais, carregam muitas coisas comuns, como modelos de apelidos, identificação, modos de ações e até trejeitos.

 

‘Rede social não é terra de ninguém’

“Crime ou indícios de crime (digitais) se enquadram na mesma tipificação da lei já em vigor. O que vai mudar é o modus operandi, se feito na rede digital ou no mundo real”. A afirmação é de Aldo Evangelista, advogado especialista em Direito Digital, Procurador Municipal e professor de Direito Digital da UEA.

Há pessoas e órgãos capacitados para localizar IP’s, sendo eles provenientes de celular, tablets ou computadores de qualquer natureza. Os responsáveis podem ser enquadrados, posteriormente, nos crimes específicos de qualquer natureza. “Quem pensa que rede social é terra de ninguém está muito enganado”, enfatiza Aldo.

Além do Facebook, Aldo também destaca a famosa Dark Web (Rede Escura). Uma sub-rede, oculta, usada por criminosos, através de programas específicos, para realizar transações ilícitas.

Rondinelle Bispo, especialista em computação forense e crimes cibernéticos, lembra que existem ferramentas para identificar e denunciar essas ações criminosas. Elas estão disponíveis tanto para os órgãos de segurança pública, quanto para pessoas comuns.

 

Canais na própria rede social

Uma das ferramentas de combate ao crime digital são os canais disponibilizados nas próprias redes sociais. Órgãos de segurança pública podem acionar o FaceBook Records ou Whatsapp Records, por meio de mandados judiciais. Com isso, na maioria das vezes, é possível identificar e/ou localizar pessoas responsáveis por publicações com atos criminosos.

Já para o cidadão comum, todas as redes, por regra, possuem canal específico para fazer denúncia. Lá o usuário denunciante vai especificar o porquê pede a retirada da publicação ou denuncia o usuário. Terá que preencher um formulário, antes, informando em que tipo de problema a publicação denunciada se enquadra. Nudez, violência, assédio, suicídio ou automutilação, notícias falsas, spam, vendas não autorizadas, discursos de ódio, terrorismo e outros podem ser denunciados.

Apesar de todas os meios de denúncias, os especialistas concordam em uma coisa: o grande vigia é o próprio usuário. Identificou todo e qualquer tipo de crime, denuncie. Não dê notoriedade ou propague esse tipo de informação ou você estará contribuindo de forma direta com crime. Denuncie.

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