
EXCLUSIVO Ex-presidente do Caprichoso contesta dívida atribuída a ele e faz revelações sobre as finanças do bumbá. Foto: Marcos Santos
O ex-presidente do Caprichoso Joilto Azedo revelou que, angustiado por débitos do bumbá, chegou a rezar para o avião em que viajava cair. “Nós fomos a Brasília, tentando reverter débitos com Receita Federal e Justiça Trabalhista. Quando vi que seria impossível, na viagem de volta, cheguei a rezar para o avião cair”, revela. E o ex-presidente afirma que deixou menos de R$ 3 milhões de dívida residual.
Joilto havia reservado a revelação acima a um pequeno círculo de amigos. Pela primeira vez a faz publicamente. Ele ficou revoltado com os números divulgados na Assembleia Geral do Caprichoso. “Deixei R$ 2.978.000,00 de dívidas e R$ 910 mil por receber de patrocinadores. Desse débito, R$ 1,3 milhão era de mão de obra”, afirma. Nada perto dos R$ 10 milhões apresentados na Assembleia Geral desta segunda (23/12).
O anúncio de que o Caprichoso deve R$ 13,333 milhões caiu como uma bomba nos meios ligados ao Festival de Parintins. “Eu nunca recebi R$ 14,8 milhões, como está dito, em relação a 2015. E olhe que incluía no balanço o repasse estadual, de R$ 2,2 milhões, para som e iluminação, que outras diretorias não incluíram”, afirma Joilto.
O ex-presidente Babá Tupinambá contestou a afirmação de que fogão, botija e geladeira do escritório foram levados. “Eles são da minha casa. A geladeira ainda está lá. Falta eu pegar”, afirmou.
Uma fonte do bumbá revela outros “sumiços”. “Sumiram 20 drones, TVs das salas do Conselho de Artes e escritório, sistema de câmeras de vigilância e ventuínas. Fora material alugado”, dispara.
É histórico e é sabido que Joilto, presidente por dois mandatos (1997-2000 e 2014-2016), adquiriu grande parte do patrimônio do Caprichoso. Ele comprou terreno e construiu dois galpões, reformou outro, comprou o escritório do boi e fundou a Escolinha de Artes. Comprou também a antiga sede do Beasa, hoje clube de campo do Caprichoso. Até o curral, com a sede, foi feito nas gestões dele e do ex-vereador José Walmir (presidente do Garantido). Tudo no mandato 1997-2000. “Ah, isso ninguém tira, apesar de terem tirado as placas das inaugurações”, comenta.
Joilto afirma que o ano em que o Caprichoso recebeu mais dinheiro foi 2014. “O Governo do Estado enviou R$ 2 milhões e o total, com os R$ 2,2 milhões de som e iluminação, chegou a R$ 9.671.736,58. Em 2015, quando disseram que recebi R$ 14,8 milhões, recebemos R$ 8.539.729,64, menos os R$ 2,2 milhões. O ano da crise foi 2015, quando saiu 1,2 milhão, apenas, do Governo do Estado. E, em 2016, o governo não deu nada”, afirma o ex-presidente.
Joilto, à guisa de explicação pela dívida total do Caprichoso, avaliada nos R$ 13,333 milhões, lembra das questões trabalhistas. “O débito da Junta do Trabalho era R$ 1,2 milhão e passou para quase R$ 6 milhões. Isso porque o governo deu R$ 900 mil e mais R$ 1,2 milhão para pagar uma parte. Isso ocorreu por falta de defesa e condenações à revelia”, explica.
O ex-presidente confessa que ficou admirado com a estrutura montada pelo Caprichoso, nos últimos anos. “Cheguei a pensar: que milagre estão fazendo? Será que eu não soube administrar o dinheiro do boi?”, revela. Jamais imaginou, enfatiza, que tudo estava baseado em endividamento.

Joilto Azedo (foto) afirma: “Tenho orgulho do que fiz pelo Caprichoso. Eu contribuí para o meu boi”