
Perito Molina e Dalledone ‘se estranham’ durante segundo dia de julgamento. Fotos: Raphael Alves/ TJAM
Nesta quinta-feira (28), durante o segundo dia do julgamento da ação penal n.º 0641996-45.2017.8.04.0001, em que figura como réu o delegado Gustavo de Castro Sotero, acusado do homicídio de Wilson Justo Filho, um bate-boca envolvendo o perito Ricardo Molina, pelo lado da vítima, e o advogado de defesa de Sotero, Cláudio Dalledone Júnior.
Molina ficou incomodado com o tom de deboche de Dalledone durante uma entrevista que o mesmo concedia, onde se referia a ele, que atua como assistente de acusação, como “fonoaudiólogo”. O climão foi antes do início da sessão e o perito chegou a pedir que o advogado não o tocasse.
Sotero também responde a tentativa de homicídio contra Fabíola Rodrigues Pinto de Oliveira (esposa de Wilson), Maurício Carvalho Rocha e Yuri José Paiva Dácio de Souza.
O crime ocorreu no dia 25 de novembro de 2017, em uma casa de show localizada na zona Oeste de Manaus. O primeiro dia de julgamento, ontem, foi encerrado às 21h45.
Hoje pela manhã foram ouvidas cinco pessoas, incluindo o psicólogo Alexandre Mascarenhas, 38, amigo do advogado Justo Filho, que chorou durante o depoimento. Considerado uma testemunha chave do caso, ele estava acompanhando a vítima e a esposa na casa noturna no dia do crime.
Segundo seu depoimento, Sotero teria feito um gesto oferecendo bebida a Wilson e piscado em direção ao casal, confirmando a teoria de que o delegado estava interagindo com eles.
Nas imagens das câmeras de segurança, Mascarenhas está localizado próximo de uma escada do local e presencia todo o ato. Ele confirma que após o primeiro disparo da arma do delegado, Wilson se recua e fica tentando de defender num mureta, mas que Sotero continua os disparos, como se estivesse caçando.
“Notei que ele já cambaleava e a Fabíola estava no chão”, disse na sessão. Ainda pelas imagens, o psicólogo aparece entre Wilson e Sotero, colocando o braço. Questionado, ele contou que disse ao réu para parar “por favor” e puxou o casal para mais perto da escada. Ele frisou que a vítima não era de vícios e bebia socialmente, e que naquela noite, após os olhares, ficou incomodado com o assédio do delegado.
Outras testemunhas que estavam no Porão do Alemão na noite do crime participaram da sessão de manhã, como a advogada Schelle Silva da Rocha, tanto para a promotoria quanto para a defesa.
Depois foi o segurança Waleandro Silva, funcionário do local, que contou que apenas fez a cautela da arma do delegado, mas que não verificou se a mesma estava carregada. Também foram ouvidos os delegados que estiveram na cena do crime, Alessandro Albino, Joyce Coelho e Olavo Mozer.
Da lista de testemunhas, foram ouvidos na quarta-feira: a policial militar que atendeu a ocorrência na casa de show onde ocorreu o crime; o responsável pela casa de show; um policial que atendeu uma ocorrência de trânsito, em 2014, envolvendo o réu; um policial civil, amigo da vítima Wilson Filho e que foi o encarregado de levar a arma do crime para a perícia, encerrando com o responsável pela segurança da casa de show. Pela manhã, foi ouvida ainda a viúva.
A 1a. Vara do Tribunal Júri realiza o julgamento popular no Fórum Ministro Henoch Reis. Hoje, serão realizadas as oitivas das testemunhas de defesa, dos assistentes técnicos da acusação e da defesa.

