
Evo Morales renunciou neste domingo (10) ao cargo de presidente da Bolívia. O anúncio foi feito em rede nacional, pela televisão. O país enfrenta uma série de protestos após as eleições presidenciais.
Morales renunciou depois de as Forças Armadas bolivianas terem exigido o seu afastamento para que se ponha fim à instabilidade que assola o país.
Numa declaração televisiva, Morales disse que lhe “dói muito” tomar a decisão de se afastar do cargo, mas fê-lo para procurar “a pacificação” do país. “A luta não acaba aqui. Os humildes, os pobres, os sectores sociais, vamos continuar esta luta pela igualdade e a paz”, declarou.
Nas últimas horas, ao menos três ministros também entregaram seus cargos.
Asilo
O jornal argentino Clarín afirmou que Evo Morales abandonou a Bolívia e tenta viajar para a Argentina no avião presidencial em meio a uma profunda crise política no país. Fontes diplomáticas confirmaram ao jornal argentino que Morales pediu autorização para a aeronave entrar no espaço aéreo argentino.
Eleições
Horas antes, Morales disse que convocaria novas eleições, após a Organização dos Estados Americanos (OEA) informar que as eleições presidenciais no país haviam sido fraudadas.
“Decidi convocar novas eleições nacionais que, mediante o voto, permita ao povo boliviano eleger democraticamente a suas novas autoridades, incorporando novos atores políticos [ao processo político]”, disse Morales ao anunciar sua decisão.
O presidente Boliviano também anunciou que iria substituir os atuais membros do Tribunal Superior Eleitoral.
Manifestações
Ao falar sobre as manifestações encabeçadas por grupos que pedem sua renúncia, Morales disse que a Bolívia “vive momentos de conflitos, com grave risco de enfrentamentos entre bolivianos” e que, neste contexto, sua “principal missão é proteger a vida, preservar a paz, a justiça social e a unidade de toda a comunidade boliviana”.
Segundo a imprensa boliviana, nas últimas horas, houve ataques a residências, incluindo de familiares de Morales, e prédios públicos. No Twitter, Morales denunciou que “fascistas” incendiaram a casa dos governadores de Chuquisaca y Oruro, e também de sua irmã, Esther Morales, em Oruro. Emissoras de rádio e TV estatais, como a Bolívia TV, foram alvo de protestos.