20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Declínio cultural

Publicado em 15 de setembro, 2019

A cena se repete e se multiplica. Muitas pessoas já não conversam e nem leem porque só vivem nas redes sociais. São dependentes e se esvaziam de conhecimento, de cultura, de relacionamento humano. Acham que o aparelho celular é tudo. Só não contam com a implacável capacidade que o mercado de trabalho possui de descartar os menos preparados.

Pra completar, num país onde as crianças já nascem pedindo tablet ou celular de presente e muitas coisas são niveladas por baixo, convivemos com o fechamento de casas de cultura, onde se encontram a fonte do conhecimento. É triste ver livrarias fechando as portas num país onde parcela significativa da população acha lindo falar “é nóis mano”, e se escreve nas redações e demais textos tal qual nas mensagens truncadas das redes sociais.

Para quem tem segundas intenções, politicamente falando, é fundamental que se mantenha um público desatento à leitura e desinformado. Quanto mais pessoas alienadas, melhor, já que é mais fácil promover a manipulação das massas, impondo desinformações.

Mais tristeza ainda provoca o fechamento de vários jornais no Brasil em apenas seis anos. Já se foram a Gazeta Mercantil, o Jornal do Brasil, o Estado do Paraná, o Jornal da Tarde, o Diário do Povo, o Diário do Comércio, O Sul e o Brasil Econômico, sem falarmos nos jornais esportivos.

Partes interessantes como política e economia dos matutinos são deixadas de lado e substituídas por tragédias, escândalos, fofocas e violência, assuntos que efetivamente tem apelo muito forte e vendem realmente jornais e revistas (segundo informações obtidas). Poucos estão realmente interessados em promover cidadania e formar pessoas que tomarão as rédeas deste país.

E onde fica a importância da leitura para o desenvolvimento sociocultural das pessoas? Desde cedo percebemos que através dela compreendemos o mundo à nossa volta, começamos a ter um firme ponto de vista e a ampliar os nossos horizontes de tal forma que por meio dela notamos que a nossa imaginação não tem limites.

É através da leitura que adquirimos conhecimento e cultura que vão nos permitir uma capacidade maior de diálogo, de argumentos, nos preparando para o concorrido mercado de trabalho. Além disso, ao conhecermos melhor o mundo, ao vivenciarmos novas experiências, também passamos a conhecer melhor a nós mesmos, promovendo reflexões e amadurecimento, fundamentais para a formação de um cidadão comprometido com a verdade, com a justiça e com o papel que podemos desempenhar em prol de toda a coletividade, indo muito além dos interesses pessoais.

No entanto, muitas são as dificuldades encontradas ou criadas, tais como a falta de bibliotecas comunitárias, obrigando o aluno a se deslocar pra outros bairros, o preço dos livros ou mesmo a preguiça e a falta de interesse pela leitura, fazendo com que as pessoas se distanciem desta prática que pode decidir um futuro, seja através de aprovação em concurso público ou pela abertura de novos horizontes.

Portanto, ler é de fundamental importância para fomentar as mudanças que tanto queremos para o nosso país, seja através do voto consciente ou por meio de uma postura crítica diante da realidade brasileira. Só assim seremos um país verdadeiramente grande.

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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