
Foto: Adua
Os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) aprovaram indicativo de greve no campus da Ufam em Manaus, na manhã desta quinta-feira (22), e nas unidades de Parintins, Humaitá e Benjamin Constant, na quarta (21). F
Na última semana, professores, estudantes e técnicos da Universidade Federal do Amazonas paralisaram as atividades parcialmente, acompanhando o movimento nacional deflagrado contra o contingenciamento de recursos da Educação.
Os manifestantes se concentraram na Praça da Saudade, no Centro, em Manaus, e no interior, em Parintins (a 369 quilômetros a leste de Manaus), com exposição de projetos, debates e um “sarau da resistência”.
“Essa é a posição que Adua levará para a reunião do setor das Instituições Federais de Ensino, em Brasília, nos próximos dias 24 e 25, onde se terá um panorama da situação nacional”, informou o presidente da Adua-SSind, professor Marcelo Vallina.
O indicativo de greve por tempo indeterminado está sendo discutido em todo o país nas seções sindicais do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN).
Votos
Com 17 votos favoráveis, 2 contrários e 3 abstenções, professores e professoras da Ufam do campus da capital aprovaram o indicativo de greve por tempo indeterminado. A Assembleia Descentralizada em Manaus contou a participação de docentes, universitários, pós-graduandos e egressos da Universidade.
No Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA), em Humaitá (a 590 quilômetros a sudoeste de Manaus), foram 19 votos a favor, nenhum contrário e nenhuma abstenção. Em Parintins, no Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ), também por unanimidade, foram contabilizados 11 votos a favor do indicativo de greve.
Os docentes do Instituto de Natureza e Cultura (INC), em Benjamin Constant (a 1.121 quilômetros a oeste de Manaus), decidiram pela construção de grupos de discussão com a comunidade acadêmica na intenção de intensificar a mobilização.
As datas de reuniões de mobilização nas unidades da Ufam fora da sede serão marcadas para a próxima semana.
Future-se
Durante as assembleias, professores e estudantes se manifestaram sobre o atual momento das universidades públicas, sobre o projeto “Future-se”, acerca dos cortes aos orçamentos das instituições, entre outros temas.
Um dos principais pontos foi o projeto “Future-se”, que segundo o Ministério da Educação (MEC), busca o fortalecimento da autonomia de gestão, financeira e administrativa das universidades e institutos federais (IFs). Estas ações serão desenvolvidas através de parcerias com as organizações sociais.
Ainda segundo o MEC, o “Future-se” busca promover a sustentabilidade financeira, estabelecendo limite de gasto com pessoal nas universidades e institutos — hoje 85% do orçamento das instituições são destinados a isso. O programa permite que universidades e institutos aumentem as receitas através do fomento à captação de recursos, e a adesão será voluntária. O governo ainda alega que quem aderir terá mais flexibilidade para realizar despesas.
A proposta do governo ainda prevê a criação do Fundo Soberano do Conhecimento. Será um fundo de direito privado voltado para atividades de pesquisa, extensão e desenvolvimento, inovação e empreendedorismo nas universidades e institutos federais. A administração deste fundo será de uma instituição financeira privada funcionando sob regime de cotas.
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