31/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Sofrência, a dor da separação, causa transtorno psíquico igual ao desemprego e diferente da depressão, diz psiquiatra. Ouça entrevista detalhada

Publicado em 21 de agosto, 2019

Sofrência, a dor da separação, causa transtorno psíquico

Sofrência, dor de cotovelo ou como quer que você chame pode se tornar um problema psíquico importante e necessitar da ajuda do médico, diz o doutor em Psiquiatra Luiz Henrique (foto)

Percalços da vida, situação de estresse, como na separação, provocam um fenômeno psíquico chamado Transtorno de Adaptação. O problema pode se manifestar na dor conhecida como sofrência ou, mais popularmente, dor-de-cotovelo. E pode ser provocado também por momentos adversos, como a perda do emprego. “É diferente da depressão, que é mais grave, mas pode agravá-la”, afirma o doutor em Psiquiatria Luiz Henrique.

O médico comentou o Transtorno de Adaptação no “Diário da Manhã”. O programa vai ao ar de segunda a sexta, de 7h às 9h, na Rádio Diário (95.7).

Transtorno de Adaptação pode ser a matéria-prima dos compositores da música que vem sendo popularmente conhecida como “Sofrência”. O cantor Pablo, também conhecido como Rei do Arrocha, detém o título de Rei da Sofrência. Marília Mendonça é a Rainha da Sofrência. Os dois, com ritmo dançante e frases de efeito, tentam retratar os sentimentos dos corações machucados Brasil afora.

 

Confusão com Depressão

Luiz Henrique afirma que é uma confusão comum dizer que alguém “está deprimido” porque perdeu o emprego. “Não ter mais esse suporte financeiro, a comida da família, traz um sofrimento muito grande. Isso se expressa por ansiedade (“e agora o que as crianças vão comer?”), tristeza, choro, sensação de vazio”, explica.

Perder o emprego, num Brasil com mais de 13 milhões de desempregados, acaba se tornando um sofrimento coletivo.

“Na depressão os fatores ambientais não concorrem para melhoria do indivíduo. Em quem tem Transtorno de Adaptação é diferente. Quem perdeu o emprego, se consegue novo emprego está resolvido. Quem tem o fim de um relacionamento, perdeu a mulher ou perdeu o marido, entra nesse quadro”, acrescenta.

Depressão crônica, mas controlada, na qual o acometido tem vida normal, pode se agravar. “As diferenças são grandes. O psiquiatra busca fenômenos depressivos sem causa aparente. É a doença que invade a pessoa. Sem o tratamento medicamentoso é impossível qualquer melhora na Depressão. No Transtorno de Adaptação o tratamento leva seis meses, mais ou menos. Estabelecer a diferença depende de avaliação muito específica, que a gente precisa fazer em consultório”, enfatiza.

 

Ajuda

“Passou por um momento desses, como perda do emprego, e não está dando conta de suportar? Diagnosticou uma doença grave e entra num processo de deterioração emocional? Procure um psiquiatra. Pesquisas mostram que 50% dos casos de atendimento hospitalar por depressão são Transtorno de Adaptação. Doença grave também causa deterioração emocional. Violência, tentativa de assalto, abuso sexual, violência doméstica, reprovação numa matéria podem causar Transtorno de Adaptação”, diz.

 

Suicídio

O especialista alerta que o transtorno pode ser um dos responsáveis pelo suicídio. “É preciso pedir ajuda, parar com o preconceito com o psiquiatra ou o medo da ‘dependência do remédio’. O paciente vai ao cardiologista, sai com uma lista de remédios e não reclama. Mas se vai no psiquiatra e sai com um remédio já fica com medo da dependência. É preciso parar com isso e buscar ajuda”, aconselha.

Os psiquiatras do Brasil estão preparando o Setembro Amarelo, abordagem psicológica e psiquiátrica para prevenção do suicídio. Luiz Henrique afirma que o Conselho Federal de Psiquiatria aconselha a imprensa a falar mais sobre isso, para ajudar suicidas. Dia 1º de setembro haverá uma palestra sobre o tema no Centro de Convivência da Família. Fica no bairro da Compensa, na avenida Brasil.

Luiz Henrique é especialista convidado do Diário da Manhã, toda terça-feira. Ouça, no link abaixo, a íntegra da entrevista dele ao programa:

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