Psiquiatra afirma que fanatismo político é doença que pode ser curada com medicamento

Psiquiatra afirma que fanatismo político é doença

Psiquiatra afirma que fanatismo político é doença, aconselha os “sãos” a não discutir e revela que comportamento pode esconder coisa mais grave, como esquizofrenia

O radicalismo de simpatizantes das campanhas de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad pode ser uma doença e até sintoma de outras. “O fanatismo pode ser enquadrado na categoria de transtorno psicótico. É, particularmente, transtorno delirante persistente”, diagnostica o médico Luiz Henrique Novaes da Silva (CRM-6964 e RQE-3566). “É uma entidade psiquiátrica que, apesar das características bem definidas de doença mental, a pessoa consegue viver normalmente. É difícil até de diagnosticar porque se parece muito com a realidade”, acrescenta.

Luiz Henrique é um dos especialistas ouvidos semanalmente pela Rádio Diário (FM 95.7), no programa Diário da Manhã, onde fez a avaliação.

O fanatismo do momento, face à eleição de domingo (28/10), quando quase todos têm um fanático para chamar de seu, está voltado para a política, mas pode existir também em outros setores, como esporte, ciúmes etc., diz o médico. “O fanatismo político pode se expressar até de forma mais violenta. É uma pessoa que tem uma crença tão real, tão intensa, que chega ao ponto de não conseguir criticar o próprio pensamento”.

Alguém a favor, por exemplo, do político “A”, que consegue aceitar o pensamento do político “B”, é normal. “A pessoa consegue ter uma discussão de bom nível e até pode mudar de ideia”.

No fanatismo político, a pessoa se fecha no candidato “A”. Aí não adiantam opiniões, informações, parâmetros, sobre outro candidato ou sobre quem ela elegeu. “O indivíduo escolhido se torna inatingível. Não erra e se errou foi sem querer. Se você não vota nele é você que está errado e não presta. Igual ao candidato que escolheu. Não tem dúvida sobre o caráter da pessoa, mesmo sem conhecê-la”, afirma.

 

Política e religião

O fanatismo, nesta eleição, tem se expressado na vertente política e na vertente religiosa. Um dos candidatos fala de religião. O fanático se prende a uma ideia, que considera crença real, mesmo sem conhecer o indivíduo. O candidato fala de religião e não de religiosidade.

“Faça uma pergunta: você conhece pessoalmente o seu candidato? Convive com ele? Se não conhece, como pode admitir que alguém seja do jeito como se apresenta? Alguém que me conhece como médico vê uma parte de mim e não conhece minha família, meus filhos… O político mostra só uma parte, acobertada pelo marketing, falsidade de dados e uma série de outras coisas”, enfatiza.

 

Melhor não discutir

O são, aquele que não tem fanatismo, não deve discutir com o fanático. “A ideia do fanático está sedimentada. Não vai mudar. Então o são não deve discutir com ele”, afirma Luiz Henrique.

 

Tratamento difícil

O fanático tem dificuldade em pedir ajuda porque precisa reconhecer a doença para aceitar a terapia. “O delírio persistente pode ser sintoma de outra doença, inclusive a esquizofrenia. Mas o fato de a pessoa conviver bem com aquilo – o fanatismo – faz com que tenha pouco sofrimento. E o indivíduo ou a família só procuram ajuda psiquiátrica quando há sofrimento”, explica.

Ouça a entrevista completa do médico Luiz Henrique sobre o fanatismo:

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