
Nejmi foi presa com irmãos de Omar Aziz e delegado da PF afirma que “medidas diferentes” foram tomadas para respeitar prerrogativas do senador. Foto: David Batista
A ex-primeira-dama do Estado Nejmi Aziz foi presa esta manhã (19/07), com base em mandado judicial específico. “É um mandado de prisão temporária, com prazo de cinco dias”. A informação é do diretor regional de combate ao crime organizado da PF no Amazonas, Max Ribeiro. “Foram decretadas medidas diferentes da prisão, por prerrogativas de exercício de mandato. É o que posso dizer”, revelou o delegado Alexandre Teixeira, que preside o inquérito. Ele se referia, sem citar nomes, ao ex-governador e senador Omar Aziz (PSD-AM).
Foram cumpridos nove mandados de prisão temporária, oito em Manaus e um em Brasília. Delegados e o procurador da República Armando Castro participaram de coletiva às 10h, na sede da PF-AM. Nenhum deles quis falar de nomes, mas todos negaram a prisão do senador Omar.
“O objetivo é da prisão temporária é ‘servir à investigação’. Prazo de cinco dias é para diligência, como inquirições, acareações, medidas complementares, análises de material apreendido etc. Ao final do prazo, a autoridade policial ou Ministério Público Federal (MPF) podem pedir à Justiça a renovação. Ou transformar a prisão em preventiva.
Oito mandados de prisão temporária foram cumpridos nesta sexta-feira (19), em Manaus, durante a operação Vertex, nova fase da Operação Maus Caminhos, deflagrada pela Polícia Federal no Amazonas, que investiga a prática de crimes de corrupção passiva, lavagem de capitais e pertinência à organização criminosa. Um outro mandado de prisão foi cumprido no Distrito Federal.
Carros de luxo e bens de alto valor foram apreendidos, mas o valor ou número total de bens não foi divulgado. Os presos foram encaminhados para a sede da PF, no bairro Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste de Manaus.
A investigação foi desmembrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da Operação Maus Caminhos, em razão de indícios de recebimentos de vantagens indevidas por Omar Aziz. Ex-governador e no exercício do cargo de senador, ele tem direito a foro privilegiado no STF.
O STF entendeu que foro por prerrogativa de função, conferido aos deputados federais e senadores, se aplica apenas a crimes cometidos no exercício do cargo. Ou em razão das funções a ele relacionadas. O ministro Dias Toffoli determinou a remessa da investigação ao juízo de 1ª instância. Em janeiro de 2019 a investigação foi retomada.
Para a Polícia Federal, os indícios de crimes praticados ocorreram quando o ex-governador exercia o cargo no Poder Executivo. Entre as vantagens indevidas, das quais há suspeita, haveria entregas de dinheiro em espécie ou em negócios simulados ou superfaturados. Tudo para ocultar a entrega de dinheiro, dissimulada por meio de contratos de aluguel e de compra e venda.
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