
Uma reportagem veiculada no Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo (26) alertou pais de filhos com autismo para uma promessa de cura do transtorno por meio de uma fórmula que, segundos especialistas, é equivalente à água sanitária: o ‘MMS’ – Mineral Miracle Solution (Solução Mineral Milagrosa). A substância é proibida em território nacional. A sua venda, bem como o incentivo para que alguém utilize, é crime.
Para o neuropediatra Salomão Shwartzman, especialista em autismo, é necessário que haja bom senso e que se tenha o entendimento que o transtorno não tem cura. “Ao contrário do que se propaga com a venda da fórmula, o caso pode agravar. Pessoas com autismo precisam de fonoterapia e terapia comportamental, que têm eficácia comprovada”, alerta o especialista.
Durante a reportagem, foi possível ver – em grupos de WhatsApp e no Facebook – o comércio do ‘MMS’ com valores que variam de R$ 50 a R$ 120 e que, há casos em que, após o uso contínuo da fórmula pode-se haver a perda da mucosa intestinal, principalmente quando a inserção do composto é feita de forma retal.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a distribuição, comercialização e uso da substância no Brasil.
Desinformação
Para a presidente de uma das instituições que recebe apoio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped) – a Associação Mães Unidas pelo Autismo (AMUA) – Núbia Brasil, ainda há muita desinformação sobre o transtorno e “quando o autismo chega dentro das casas, há uma desestruturação da família”.
“É difícil suportar o autismo, principalmente casos mais severos. Falta informação em postos de saúde, em escolas. É necessário esse trabalho de formiguinha que a Seped vem, enfim fazendo”, disse a presidente.
Núbia alertou ainda que, como em outros Estados, no Amazonas há grupos de troca de informações entre pais de autistas na internet que também divulgam a venda do ‘MMS’ e de outros medicamentos que prometem a cura do transtorno. “É preciso que saibam de uma vez por todas que não há cura para o que não é doença”, frisou.
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