20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O Fonacate está conosco. A Previdência é nossa!

Publicado em 02 de maio, 2019

Por Augusto Bernardo Cecílio

No momento em que os trabalhadores brasileiros vivem momentos de apreensão acerca de uma possível reforma da Previdência, ainda com raras discussões junto à sociedade e aos reais interessados, e vendo que os meios de comunicação abrem generosos espaços somente a quem defende tais mudanças, o Amazonas recebe nesta quinta-feira o Dr. Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado – Fonacate, associação civil integrada exclusivamente por entidades nacionais associativas e sindicais, representativas das carreiras que desenvolvem atividades essenciais e exclusivas do Estado, em todos os Poderes, no âmbito federal, estadual, distrital e municipal.

O objetivo do Fórum é defender o Estado Democrático de Direito, preservando os direitos e garantias fundamentais, individuais e coletivas, além dos princípios éticos e constitucionais da Administração Pública. Atualmente é a entidade de classe legitimada a representar em conjunto as Carreiras Típicas, agregando mais de 200 mil servidores públicos, constituindo um canal legítimo de discussão dessas carreiras com a sociedade.

Também presidente do Sindicato Nacional dos Auditores e Técnicos Federais de Finanças e Controle – Unacon Sindical, que representa os servidores da Secretaria do Tesouro Nacional (STN/ME) e da Controladoria-Geral da União (CGU), Rudinei traz a público um completo documento denominado “9 erros da PEC 006/2019 e Alternativas para a Economia, o emprego e Previdência”, divulgado recentemente,mais uma contribuição ao debate sobre a reforma, agora reeditada na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 006/2019.

Como disse Rudinei na apresentação, mais de dois anos do envio da PEC 287/2016 ao Congresso Nacional pelo governo Temer, o presidente Bolsonaro agora encaminha uma proposta ainda mais dura do que aquela, tanto no tocante às regras de acesso e às formas de cálculo dos benefícios previdenciários, como em relação ao tempo e às alíquotas de contribuição, assim como à idade de aposentadoria e outros parâmetros. Uma vez mais, omite-se a memória dos cálculos utilizados pelo governo e outras informações fundamentais para que os parlamentares e a sociedade em geral possam avaliar a pertinência da proposta.

Além disso, vale observar que o país ainda não superou a grave crise econômica iniciada há mais de quatro anos, contabilizando taxa de desemprego e de subocupação sem precedentes, o que afeta negativamente as receitas da seguridade e os resultados da Previdência. As políticas de austeridade implementadas a partir de 2015 coincidiram com o agravamento da crise econômico-fiscal, o que por si só deveria servir de alerta ao governo e aos parlamentares: nada garante que o corte de direitos sociais, travestido em reforma da Previdência, poderá fazer com que o país retome o seu caminho de desenvolvimento, podendo ocorrer justamente o contrário, haja vista que os gastos previdenciários exercem um efeito multiplicador na economia, sobretudo, nos pequenos municípios brasileiros.

Desta forma, ao apontar os principais erros embutidos na referida PEC, o Auditor Federal de Finanças e Controle Bráulio Santiago Cerqueira presta mais uma relevante contribuição a esse debate que consome a agenda pública há três anos, como veremos nos artigos seguintes. E mais do que apontar erros que agravariam as injustiças sociais no país, o autor indica o caminho do diálogo franco e transparente como ingrediente fundamental para uma solução responsável à questão, ao tempo em que propõe alternativas de superação da crise econômica e fiscal baseado na premissa de que o país pode crescer com inclusão social.

 

*Auditor fiscal e professor

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Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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