
Começa a ser vendida neste sábado (13), em Manaus, a primeira gasolina ecoaditivada do Brasil, distribuída pelo grupo Dislub Equador. Segundo o sócio-diretor da companhia, Humberto Carrilho, a Dura Mais, como foi batizado o combustível sustentável, rende até 10% mais que combustíveis de outras bandeiras.
A Dislub Equador apresentou o novo produto na manhã deste sábado, com a presença do criador do produto, Bill Carrol, fundador da empresa americana Biofriendly, e de representantes de órgãos de Meio Ambiente.
Foram feitos testes com dez motoristas em Manaus e em cidades do Nordeste. No caso de Manaus, cinco motoristas, entre eles taxistas, fizeram viagens de carro até Itacoatiara (a 176 quilômetros a leste da capital). Um dos motoristas disse que em uma viagem em que gastava 44 litros o consumo caiu para 37 litros.
A explicação de Carrilho para a economia média de 10% é um catalisador presente na Dura Mais. “Não tem nenhum mistério. A única coisa que o produto faz acontecer é que ele faz queimar aquele combustível que não estava queimando na câmara de combustão do veículo, com isso o veículo tem um melhor desempenho e combustão”, afirma.
Há cerca de dez anos, o governo brasileiro exigiu que os veículos tivessem um catalisador, que reduz a emissão direta de gases poluentes no ar. Dependendo da tecnologia, se o veículo é mais novo e se o sistema é mais eficiente ou menos, a quantidade de combustível não queimado chega a 30%.
O ingrediente catalisador, desenvolvido pela Biofriendly e produzido no México, é uma substância química que acelera reações químicas, no caso a combustão. Isso viabiliza a queima do combustível de maneira mais eficaz, reduzindo a quantidade do produto não queimado.
Durante a coletiva deste sábado, Carrilho não informou qual será o valor cobrado no litro da Dura Mais vendida nos postos de Manaus, já que cada estabelecimento tem sua política de preços. O diretor, no entanto, disse que o preço tende a ser semelhante ao das demais bandeiras.
Dezessete países já utilizam o combustível na América Latina, como México, Colômbia, Argentina e agora o Brasil, e a redução de emissão de poluentes é outro benefício do produto, segundo a Dislub Equador. Os testes mostram que a emissão de gases é 50% menor com a Dura Mais.
O novo produto é certificado pela Organização das Nações Unidas (ONU) por estar alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) previstos na Agenda 2030. A certificação ocorreu porque o catalisador GreenPlus, presente da gasolina DuraMais, reduz a emissão de poluentes. A distribuidora do produto, a mexicana Horeb, também foi certificada por sua contribuição aos ODS de número 7 (Energia Limpa e Acessível), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), 12 (Consumo e Produção Responsáveis), 13 (Combate às Alterações Climáticas) e 17 (Parcerias em prol dos ODS).
O diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente, disse durante o lançamento do produto que a iniciativa do grupo é importante para que o Amazonas mantenha os bons índices de preservação da floresta.
Segundo Valente, 97% da floresta continua de pé no Estado, que também tem 54% do território distribuídos em unidades de conservação. “É muito boa a iniciativa do setor produtivo gerando emprego, com preocupação ambiental”, avaliou.
O papel do Estado, segundo o secretário-executivo de Estado do Meio Ambiente (Sema), Luís Henrique Piva, será produzir e levar políticas públicas para que a população, principalmente do interior, tenha acesso a essas tecnologias sustentáveis que geram economia.
A distribuição do novo combustível sustentável para o interior do Amazonas deve ocorrer em seis meses, segundo previsão da empresa, assim como para a Região Nordeste do País.
A possibilidade de um combustível que dure mais foi comemorada pelo representante da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, Vitor Salviati, que lembrou que o transporte no interior do Amazonas é complexo e difícil.
“Essa iniciativa a ser testada e certificada ela tem a sua importância porque a gente vai fazer a mesma atividade com menos impacto. Quanto menos a gente agredir o meio ambiente, melhor”, afirmou Salviati.
Reportagem: Laís Motta
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