“Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”, disse um dos maiores jogadores do futebol brasileiro, em uma propaganda de cigarro no ano de 1976.
A frase acima, difundida e batizada com o nome de “Lei de Gerson”, sintetizou o famoso “jeitinho brasileiro” de fazer o errado parecer certo, de levar vantagem em tudo e colocar os outros para trás.
Aquele sentimento de orgulho de ser malandro, esperto, gerou um padrão cultural e se espalhou pelo Brasil. Políticos, por exemplo, não são alienígenas, são apenas pessoas, escolhidas democraticamente, que saem do povo para representá-lo. Portanto, quando criticamos essa classe, na verdade, estamos criticando a nós mesmos, pois eles são a expressão de um povo e carregam a nossa cultura. Repudiamos o jeitinho malandro, mas esquecemos que um dia o povo já se orgulhou disso, de ser esperto.
No entanto, um novo momento se inicia. Nós, como povo, renunciamos, coletivamente, a esperteza e a malandragem, resgatamos valores morais e sociais há muito perdidos e passamos a reconstruir o caráter de uma nação. Voltamos, enfim, a ter orgulho de sermos brasileiros.
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* Guilherme Torres é Delegado de Polícia. Titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos ...