20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mudar de foco para inovar e desenvolver

Publicado em 01 de abril, 2019

Por Francisco R. Cruz

Dizem que só os gênios são capazes de enxergar o óbvio.  Einstein, por exemplo, provou sua genialidade, valendo-se de uma obviedade imortalizada por ele na frase: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”. Como gênio é coisa rara, a humanidade se vale da educação, onde busca o conhecimento para desenvolver-se. Aqui não se descarta o conhecimento como agente estimulador da imaginação multiplicadora.

O país reconhece essa necessidade e gasta fortunas em busca do conhecimento, equiparando-se nesse aspecto aos ricos países da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas embora gaste tanto quanto os países dessa organização, não consegue mostrar resultados equivalentes.

Mesmo assim, não nos frustramos. Ao contrário. Convencidos de que o nosso atraso tem origem na falta de conhecimento, buscá-lo nos mestrados e doutorados foi alternativa coerente, que tem se provado importante à inovação e ao progresso das nações.

Tal coerência, contudo, parece desprezar a imaginação, quando adota a mesma dinâmica das etapas anteriores da educação. Os resultados não poderiam ser diferentes:  altos gastos e baixos resultados em inovação. O número de patentes internacionais registradas por brasileiros, por exemplo, permanece estável há mais de uma década, como tem mostrado o presidente do INSPER. Falhou.

Essa realidade preocupou o governo, pois, inovação é a principal demanda do mundo atual. A alternativa foi subsidiar as empresas. Em 2005 foi criada a “Lei do Bem”, que premia as empresas inovadoras com desconto no Imposto de Renda dos valores aplicados em P&D. Também falhou. Cresceu, substancialmente, o número de empresas que se valeram desse incentivo, mas permaneceu estável a quantidade de empresas inovadoras.

Resumo da ópera: o Brasil é o sexto pais em subsídios à inovação no mundo, superando países como Inglaterra e Japão. Os resultados, contudo, colocam o país na conhecida “rabeira”, lugar que se repete na educação ao longo do tempo.

Enquanto isso, as prateleiras dos órgãos da União e Estados, que concedem bolsas, estão repletas de teses maravilhosas, mas, aparentemente, sem qualquer conexão com o setor produtivo, consequentemente, com o desenvolvimento do país.

Os diversos Institutos de pesquisas, onde não duvido haja inteligência rara, certamente produzem pesquisas excepcionais, mas de resultado zero à economia da Nação, o que faz da Embrapa um revolucionário exemplo de eficiência em inovação, capaz de transformar o agronegócio no carro chefe da economia brasileira.

Algo está profundamente errado. O país tem de encarar esses extraordinários recursos como investimento, portanto, com expectativa de retorno, o que exige a mudança de foco. As bolsas de estudos devem priorizar projetos (individuais ou coletivos) voltados para a geração de riqueza ou ao atendimento das carências do país, sobretudo, àquelas das classes menos favorecidas. Salvo, evidentemente, teses de caráter cientifico, com potencial de promover o reconhecimento do país no “Concerto das Nações”.

 

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Francisco Cruz

* Francisco R. Cruz é empresário e trabalhou muitos anos na área de tecnologia e, entre 2001 e 20...

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