
Roberto Cidade (PV) foi um dos deputados que criticou o presidente Jair Bolsonaro por retirar os projetos que tratavam da criação de universidades no Amazonas. Foto: Aleam/Divulgação
A decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de vetar a criação da Universidade Federal do Médio e Baixo Amazonas, com reitoria no município de Parintins, e da Universidade do Médio e Alto Solimões, em Coari, foi duramente criticada por deputados na sessão plenária desta terça-feira (19/03), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
No despacho presidencial, publicado no Diário Oficial da União do último dia 15 de março, o presidente também veta a criação de novos Institutos Federais de Educação no Estado. Todas as propostas foram apresentadas pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).
Para o deputado Sinésio Campos (PT), a decisão federal de não investir em novas escolas técnicas e universidades para o povo do interior amazonense é “pensar pequeno”. Sinésio Campos afirmou que essa atitude mostra uma falta de visão de olhar a Amazônia como uma fonte de investimentos e também é negar aos estudantes do interior acesso mais fácil aos estudos, porque, relatou o parlamentar, muitos jovens precisam se deslocar para a capital Manaus para dar continuidade aos estudos.
“Estou indignado, porque como professor, como educador, eu não consigo entender um governo que não investe em educação”, declarou Campos. O parlamentar, que é vice-presidente da Comissão de Educação da Aleam, informou que irá solicitar da presidente da Comissão, a deputada Therezinha Ruiz (PSDB) que apresente uma Moção de Agravo pela decisão do presidente Bolsonaro.
“Essa medida representa um retrocesso no ensino público federal para o nosso Estado e precisamos reagir contra o Governo Federal”, criticou Cabo Maciel (PR). O deputado cobrou da Casa Legislativa uma Moção de Repúdio contra a decisão do Governo Federal. Cabo Maciel pediu apoio da bancada amazonense na Câmara e no Senado Federal para reagir contra a medida do presidente Bolsonaro. Para o parlamentar do PR, a equipe do governo precisa repensar e reapresentar os projetos de leis.
Para o deputado Roberto Cidade (PV), a decisão é um retrocesso. “Infelizmente, para todos aqueles que moram no interior e sonhavam com uma Universidade Federal, o sonho foi por água abaixo. A medida é um retrocesso e nos mantém na condição de Estado com dimensões continentais e que conta apenas com uma universidade, obrigando os jovens e adultos que procuram uma formação superior, se deslocar para Manaus”, disse. Ele espera que a bancada federal consiga convencer o presidente a rever sua decisão.
Como educadora que conhece as carências do ensino nas distantes cidades amazonenses, a deputada Therezinha Ruiz considerou o ato do governo federal como uma punhalada, impedindo que os jovens dos municípios do Alto Solimões tenham acesso ao ensino superior. “A população de Tabatinga e dos municípios próximos precisam de uma universidade que promova o conhecimento e assegure melhores perspectivas de futuro para os jovens da região”, ressaltou a deputada, referindo-se à Universidade Federal do Médio e Alto Solimões (Ufemas) com sede prevista em Coari.
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