O volume de brasileiros inadimplentes que regularizaram suas pendências e saíram do cadastro de devedores cresceu 11,5% em janeiro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), a Região Norte detém 6% de todos os consumidores que estão com contas atrasadas no País.
Com a retomada da economia de forma lenta, o cenário de recuperação de crédito por parte dos cidadãos começa a melhorar.
O número de dívidas que foram retiradas do cadastro de inadimplência após pagamento cresceu 9,6% em janeiro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2018. Há um ano esse dado representava uma queda de 5,1%.
O levantamento mostra que entre os devedores que recuperaram crédito em janeiro, a maior parte (24%) tem entre 30 e 39 anos. Outros 22% estão na faixa de 50 a 64 anos e 13% possuem idade acima de 64 anos. Não há diferença significativa entre os gêneros: 51% dos que pagaram as dívidas são mulheres e 49% são homens.
Do total de devedores que recuperaram crédito no mês passado, 6% moram na Região Norte, 41% no Sudeste e 31% moram no Nordeste. Outras 11% residem no Sul e 8% no Centro-Oeste.
Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o dado deste início de ano acompanha a tendência de melhora gradual da economia, mas ainda é insuficiente para reverter o quadro geral de inadimplência elevada no Brasil. “O número de inadimplentes que estão conseguindo honrar compromissos atrasados vem aumentando. Só que, ao mesmo tempo, também cresce a quantidade de novos devedores. Isso faz com que a inadimplência continue elevada. Para os próximos meses, o movimento da inadimplência dependerá da evolução do crédito e de outras variáveis macroeconômicas como o desemprego e renda. A melhora desses dois últimos pontos poderá fazer a recuperação de crédito avançar mais do que o número de novos negativados, culminando na queda da inadimplência”, explica a economista.
O levantamento revela que, em muitos casos, a inadimplência não é um evento isolado. Do total de consumidores que foram negativados no último mês de janeiro, 79% são reincidentes, ou seja, já haviam aparecido no cadastro de devedores ao longo dos últimos 12 meses. Nesses casos, 28% haviam regularizado a dívida anterior, enquanto 51% ainda estavam com uma dívida pendente.
O estudo da CNDL e do SPC aponta, ainda, que depois de pouco mais de três meses após ficar inadimplente o consumidor volta a atrasar o pagamento de uma segunda conta.
Marcela Kawauti alerta para o cuidado que o consumidor deve tomar ao fechar um acordo com credores, para evitar novos atrasos de pagamento. “Um dos principais erros cometidos em uma renegociação de dívida é aceitar os termos do acordo sem avaliar sua capacidade de pagamento. Se o consumidor atrasar as parcelas acordadas, nada impede dele ver seu nome voltar para a lista de inadimplentes. Então é preciso ter plena consciência de que o combinado será cumprido e não ter medo de fazer uma contraproposta dentro de suas condições”, diz a economista.
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