
EXCLUSIVO Porteiro do inferno dá nome a operação nos presídios para evitar fugas, rebeliões e que se repita o massacre do Réveillon. A foto, do Compaj fechado, foi feita pelo helicóptero de vigilância

Carros que passam no entorno dos presídios estão sendo vistoriados

A vigilância na muralha do Compaj foi intensificada
Operação Cérbero, o nome do cão de três cabeças porteiro do inferno, na mitologia grega, é o título da ação policial deste fim de ano. O objetivo é evitar rebeliões e que se repita o massacre do Réveillon 2016-2017. Houve 255 fugas e 56 presos foram mortos. “Todo o Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim) está na tranca. Estamos vigiando 24 horas”, garante o secretário estadual de Segurança, coronel PM Amadeu Soares.
A vigilância inclui todas as unidades do policiamento de serviço na capital. “Temos helicóptero em ação permanente, vigilância do entorno, com patrulha na mata, e estamos de olho na marulha”, disse.
Secretário de Segurança Amadeu Soares – Não há nada a esconder. Nosso trabalho é explícito porque quanto mais explícito for maior será a eficiência. Temos helicóptero em vigilância permanente, estamos patrulhando os arredores do Compaj, inclusive as matas, e de olho na muralha. Esse aniversário do massacre, que foi terrível, impõe vigilância severa. A sociedade precisa saber que estamos fazendo nosso trabalho, atravessando as festas, para se sentir mais tranquila.
Amadeu – Não. Você me dá uma oportunidade de ouro. O policial amazonense é profissional. Os oficiais serão os mesmos, a hierarquia não muda. Todos sabem que nosso trabalho não tem nada a ver com a política. Convém lembrar, muito claramente, que todos temos dever com a democracia e a alternância no poder é um pressuposto dela. O governador Amazonino Mendes, promovendo e reajustando salários, valorizou os policiais e eles são gratos. Mas Wilson Lima e seus assessores podem ficar tranquilos que dedicação será a mesma com ele. Sempre profissional e atenta. Veja como as coisas são na prática: dia 31, a gente passa o bastão para a nova gestão. Aí a voz de comando para as ações dependerá deles. Ainda assim, com mudanças na Secretaria de Segurança, Polícia Militar e Polícia Civil, sempre haverá alguém de plantão no Compaj. Lá estará um profissional policial sabendo que aquele é ponto nevrálgico para a segurança da sociedade. E que a instituição, nosso trabalho como um todo, estará sob julgamento, a partir da eficiência nessa missão.
Amadeu – Houve uma tentativa de arremesso de drogas e celulares pela muralha. Os objetos foram interceptados. Depois fizemos uma vistoria nas celas e descobrimos que uma delas tinha grades serradas. Todos os ocupantes da cela foram, de imediato, para o isolamento. E permanecem lá.
Amadeu – Eles tentam fazer um agente penitenciário de refém. Só que, com a proibição de visitas, as ações próximas deles são mínimas. Os agentes, por outro lado, estão bem mais atentos.
Amadeu – Todas as demais unidades foram liberadas, menos o Compaj, onde um agente penitenciário foi morto pelos detentos. Estão todos na tranca. Lá a disciplina continua.
Amadeu – Neste momento? Fazemos controle dos acessos, do entorno, para evitar arremessos de objetos, tentativas de entrada de armas, drogas etc. A fiscalização também acontece nas unidades onde está havendo visitas.
Amadeu – Isso é bem variável. De manhã reveza Fera com COE e à noite vice-versa. Todas as unidades que estão de plantão têm obrigações com a operação, na montagem de barreira e vigilância das muralhas. Temos até um patrulhamento feito pelas matas, em trilhas abertas especialmente para isso, nos arredores da BR-174.
Amadeu – Como não tem mais o regime semiaberto melhorou bastante. Um dos sítios, quando houve o massacre, teve três armas roubadas. Agora ficou mais tranquilo e os moradores nos ajudam dando informações.
Amadeu – Sim. A cadeia será entregue para a próxima gestão ainda vigiada. A partir daí a decisão fica com eles.
Amadeu – A noite foi tranquila. Houve apenas um homicídio, na rua Luís de Freitas, no bairro de São Jorge. Trata-se de uma pessoa envolvida com o tráfico de drogas. O nome dele era Tiago Gabriel Neves Muniz, 25 anos, conhecido como Bugu. Sofreu seis tiros nas costas, chegou a ser levado para o 28 de Agosto, mas não resistiu. Nesses casos, a segurança pública não tem o que fazer.
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