26/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

EXCLUSIVO Porteiro do inferno dá nome a operação nos presídios para evitar rebeliões e massacre no Réveillon

Publicado em 25 de dezembro, 2018

EXCLUSIVO Porteiro do inferno dá nome a operação nos presídios

EXCLUSIVO Porteiro do inferno dá nome a operação nos presídios para evitar fugas, rebeliões e que se repita o massacre do Réveillon. A foto, do Compaj fechado, foi feita pelo helicóptero de vigilância

EXCLUSIVO Porteiro do inferno dá nome a operação nos presídios

Carros que passam no entorno dos presídios estão sendo vistoriados

 

EXCLUSIVO Porteiro do inferno dá nome a operação nos presídios

A vigilância na muralha do Compaj foi intensificada

Operação Cérbero, o nome do cão de três cabeças porteiro do inferno, na mitologia grega, é o título da ação policial deste fim de ano. O objetivo é evitar rebeliões e que se repita o massacre do Réveillon 2016-2017. Houve 255 fugas e 56 presos foram mortos. “Todo o Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim) está na tranca. Estamos vigiando 24 horas”, garante o secretário estadual de Segurança, coronel PM Amadeu Soares.

A vigilância inclui todas as unidades do policiamento de serviço na capital. “Temos helicóptero em ação permanente, vigilância do entorno, com patrulha na mata, e estamos de olho na marulha”, disse.

Veja a íntegra da entrevista exclusiva de Amadeu Soares ao portal:

Portal do Marcos Santos – Há certo mistério envolvendo o trabalho da polícia na vigilância dos presídios. Isso se deve ao aniversário do massacre do Compaj? O que é preciso esconder?

Secretário de Segurança Amadeu Soares – Não há nada a esconder. Nosso trabalho é explícito porque quanto mais explícito for maior será a eficiência. Temos helicóptero em vigilância permanente, estamos patrulhando os arredores do Compaj, inclusive as matas, e de olho na muralha. Esse aniversário do massacre, que foi terrível, impõe vigilância severa. A sociedade precisa saber que estamos fazendo nosso trabalho, atravessando as festas, para se sentir mais tranquila.

 

pms.am – O fato de estar se aproximando a passagem de gestão para Wilson Lima não diminui a atenção da tropa?

Amadeu – Não. Você me dá uma oportunidade de ouro. O policial amazonense é profissional. Os oficiais serão os mesmos, a hierarquia não muda. Todos sabem que nosso trabalho não tem nada a ver com a política. Convém lembrar, muito claramente, que todos temos dever com a democracia e a alternância no poder é um pressuposto dela. O governador Amazonino Mendes, promovendo e reajustando salários, valorizou os policiais e eles são gratos. Mas Wilson Lima e seus assessores podem ficar tranquilos que dedicação será a mesma com ele. Sempre profissional e atenta. Veja como as coisas são na prática: dia 31, a gente passa o bastão para a nova gestão. Aí a voz de comando para as ações dependerá deles. Ainda assim, com mudanças na Secretaria de Segurança, Polícia Militar e Polícia Civil, sempre haverá alguém de plantão no Compaj. Lá estará um profissional policial sabendo que aquele é ponto nevrálgico para a segurança da sociedade. E que a instituição, nosso trabalho como um todo, estará sob julgamento, a partir da eficiência nessa missão.

 

pms.am – O que houve de sexta para sábado, que obrigou mobilização de tropas para o Compaj?

Amadeu – Houve uma tentativa de arremesso de drogas e celulares pela muralha. Os objetos foram interceptados. Depois fizemos uma vistoria nas celas e descobrimos que uma delas tinha grades serradas. Todos os ocupantes da cela foram, de imediato, para o isolamento. E permanecem lá.

 

pms.am – E agora? O que os presos fazem que sinaliza a tensão no presídio?

Amadeu – Eles tentam fazer um agente penitenciário de refém. Só que, com a proibição de visitas, as ações próximas deles são mínimas. Os agentes, por outro lado, estão bem mais atentos.

 

pms.am – Havia essa proibição de visitas nos presídios de Manaus. Como está isso?

Amadeu – Todas as demais unidades foram liberadas, menos o Compaj, onde um agente penitenciário foi morto pelos detentos. Estão todos na tranca. Lá a disciplina continua.

 

pms.am – Na prática, como é feita a vigilância do Compaj?

Amadeu – Neste momento? Fazemos controle dos acessos, do entorno, para evitar arremessos de objetos, tentativas de entrada de armas, drogas etc. A fiscalização também acontece nas unidades onde está havendo visitas.

 

pms.am – Quantos homens estão envolvidos nessa operação?

Amadeu – Isso é bem variável. De manhã reveza Fera com COE e à noite vice-versa. Todas as unidades que estão de plantão têm obrigações com a operação, na montagem de barreira e vigilância das muralhas. Temos até um patrulhamento feito pelas matas, em trilhas abertas especialmente para isso, nos arredores da BR-174.

 

pms.am – Como os moradores dos arredores, que têm sítios nas margens da BR-174, ficam num momento de tensão assim?

Amadeu – Como não tem mais o regime semiaberto melhorou bastante. Um dos sítios, quando houve o massacre, teve três armas roubadas. Agora ficou mais tranquilo e os moradores nos ajudam dando informações.

 

pms.am – A mobilização segue até o fim do ano?

Amadeu – Sim. A cadeia será entregue para a próxima gestão ainda vigiada. A partir daí a decisão fica com eles.

 

pms.am – Como está a segurança da cidade em geral? Como foi a noite de Natal?

Amadeu – A noite foi tranquila. Houve apenas um homicídio, na rua Luís de Freitas, no bairro de São Jorge. Trata-se de uma pessoa envolvida com o tráfico de drogas. O nome dele era Tiago Gabriel Neves Muniz, 25 anos, conhecido como Bugu. Sofreu seis tiros nas costas, chegou a ser levado para o 28 de Agosto, mas não resistiu. Nesses casos, a segurança pública não tem o que fazer.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.