
Baile funk em Parintins tinha bebidas e drogas liberadas para menores. Polícia flagrou 200, alguns em coma e overdose
O “Baile da Gaiola”, de sexta (21/12) para sábado, revelou uma Parintins entregue às drogas e bebidas. O coordenador do Comissariado da Infância e Juventude da Comarca, João Tavares Lago, informou que 200 menores foram flagrados na festa. “Entre eles havia 17 crianças. A maioria estava em visível estado de embriagues e sob uso de substâncias entorpecentes”, relata.
Alguns adolescentes – o comissário não deu número exato – foram encaminhados ao hospital, em coma alcoólico ou overdose. Duas adolescentes foram abusadas sexualmente. A organização da festa prometia, nas redes sociais, bebida e drogas liberadas. O relato é de que havia cocaína, oxi, crack e maconha no evento.

Fila na entrada demonstrava que baile era a atração da cidade
Tudo isso aconteceu no Clube de Campo do Boi Bumbá Caprichoso. O presidente da agremiação, Babá Tupinambá, emitiu nota a respeito (veja íntegra abaixo). Ele afirma que o clube é terceirizado para o artista Glaucivan Silva. E que este teria sido enganado pelo organizador da festa, Francinaldo Pessoa.
Os organizadores do Baile da Gaiola pularam o muro do clube de campo e fugiram pelo lago do Macurany. O movimento deles, nas redes sociais, especialmente WhatsApp, foi monitorado pelos órgãos de segurança. Eles não tinham a necessária autorização da prefeitura, que deveria vir das secretarias de Terras e Arrecadação e do Meio Ambiente.
Segundo relato dos próprios adolescentes a festa tinha comercialização de bebidas (cerveja, cachaça e vodca). E as drogas corriam livremente, entre elas maconha, cocaína, pasta base de cocaína, oxi e crack.
O local foi interditado, toda aparelhagem de som (mesa DJ, mesa de som, caixas de som, microfones) foi apreendida. A Secretaria de Meio Ambiente fez a apreensão e o local foi multado pela Secretaria de Terras e Arrecadação.

Promessa de “liberação geral” se espalhou nas redes sociais
Os menores somente foram liberados com a presença dos pais ou responsáveis. Estes foram notificados e terão que comparecer ao Ministério Público para as providências legais.

Piscina estava liberada

Ação surpreendeu os participantes
Os organizadores do evento, bem como os responsáveis do clube, foram identificados. Serão indiciados pelos crimes de venda de bebida alcoólica para menores (art. 243, do ECA); corrupção de menores (art. 218 do CP); tráfico de drogas (art. 33 da Lei 11.343/06); estupro de vulnerável (art. 217-A do CP) e demais crimes a serem denunciados pelo Ministério Público.
A operação continuou com fiscalização dos estabelecimentos da Praça dos Bois e da avenida Amazonas, a principal da cidade. Os estabelecimentos foram notificados quanto à altura e horário da utilização de som. E está proibida a interdição da avenida, conhecida como “Broadway”, sem autorização dos órgãos competentes.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso vem a público manifestar seu total apoio à ação realizada pela Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Parintins, comandada pelo juiz Saullo Góes Pinto, realizada na madrugada deste domingo (23/12), em um evento no Clube de Campo desta associação e, ao mesmo tempo, fazer alguns esclarecimentos em relação à liberação do imóvel para que a programação fosse desenvolvida.
O Clube de Campo da Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso é terceirizado para um grupo de artistas que tem à frente o artista e sócio Glaucivan Silva. Dentro do contrato feito com o bumbá, em grandes eventos, com bilheteria e venda de bebidas alcóolicas, é cobrada uma taxa e a liberação de alvará para a realização do evento junto à Prefeitura Municipal de Parintins. Entretanto, nesta época de fim de ano, o clube estava sendo locado apenas para a realização de confraternizações de empresas, com a cobrança de uma taxa simbólica para manutenção do clube.
O responsável do imóvel, Glaucivan Silva, afirma que foi enganado pelo responsável da festa, que fez a locação do clube para uma confraternização e ação social que teria início neste sábado (22/12), às 17h e encerraria à 00h. O responsável pela organização da suposta confraternização ainda se comprometeu que o evento não envolveria menores, o que Glaucivan deixou claro que não era permitido.
No dia da programação Glaucivan foi no clube no horário que o evento deveria começar, ficou durante horas no local e voltou a chamar atenção dos organizadores, recebendo como resposta que estavam atrasados, mas que logo chegariam para dar inicio à programação. Mais uma vez o homem identificado como Francinaldo Pessoa informou que cumpriria todas as exigências solicitadas pelo responsável pelo Clube. Glaucivan, confiando na palavra e na atitude daquele homem, foi para casa e no inicio da madrugada foi acionado pela justiça e pelo Conselho Tutelar já, com a interdição do local.
Hoje, após a divulgação das ações realizadas pela justiça, o coordenador do Clube de Campo descobriu que as informações que estavam sendo repassadas pelo organizador da “confraternização” eram falsas e que o horário do evento com a presença de menores estava sendo definido em grupos de Whatsapp.
O Boi Caprichoso e o artista Glaucivan Silva foram lesados por um homem que agiu de má fé, junto ao artista, sócio e à própria Associação Cultural. Diante disso, não tiramos nossa responsabilidade de não ter feito uma apuração mais detalhada sobre a veracidade do evento e, ao mesmo tempo, nos colocamos à disposição das entidades envolvidas na ação para todo e qualquer tipo de esclarecimento.
Babá Tupinambá
Presidente da Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso
Veja mais notícias em Geral