
Juiz se reuniu com Bolsonaro hoje no Rio e disse se sentir honrado com o convite. Foto: Divulgação
O juiz federal Sergio Moro, que comanda a Operação Lava Jato em Curitiba, aceitou o convite e será o futuro ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro. Ele aceitou convite feito pelo presidente eleito no início desta semana.
O juiz se reuniu na manhã deste quinta-feira (1º) com Bolsonaro, viajando de Curitiba, e, depois de deixar a residência, divulgou uma nota para dizer que se sente honrado com o convite e que pretende, como ministro, consolidar os avanços contra o crime e a corrupção.
Moro chegou e saiu do condomínio onde Bolsonaro mora, na Barra da Tijuca, na zona oeste, em um carro da Polícia Federal. O encontro durou cerca de 1h30. Com segurança reforçada, o juiz da Lava Jato evitou contato com a imprensa e com os populares que se aglomeravam em frente à propriedade.
Na quarta-feira (30), Bolsonaro havia afirmado, pelo Twitter, que todos os ministros seriam anunciados por ele próprio, nas redes sociais.
Até o momento, foram confirmados quatro nomes: Onyx Lorenzoni (DEM-RS) para a chefia da Casa Civil; general Augusto Heleno (PRP-DF) para a pasta da Defesa; Paulo Guedes para a Economia; e o astronauta Marcos Pontes para a Ciência e Tecnologia.
O contato com Moro teria sido feito pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Moro afirmou ainda que o país necessita de uma “agenda anticorrupção” e uma “agenda anticrime organizado”, ensaiando quais seriam suas prioridades à frente da pasta da Justiça.
De acordo com declarações recentes de Bolsonaro, a ideia seria delegar ao magistrado um superministério, que uniria as estruturas de Justiça, Segurança Pública, Controladoria-Geral da União e Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), este último atualmente ao Ministério da Fazenda.
Na cúpula da campanha, a expectativa é alta de que Moro aceite o “superministério”. Segundo uma fonte próxima a Bolsonaro, o plano é que ele assuma uma pasta no governo para depois ser indicado pelo presidente para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
O decano da Corte, ministro Celso de Mello, terá que deixar o posto compulsoriamente em 2020, mas outro ministro pode se aposentar antes, se assim quiser.
Leia a nota do juiz Sergio Moro:
“Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura.
No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior.
A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.
Curitiba, 01 de novembro de 2018. Sergio Fernando Moro”.
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