
Pesquisa estuda mutação genética de câncer de mama (Foto: Divulgação)
Estudo científico desenvolvido pelo pesquisador da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cleiton Rezende, rastreia a mutação do gene BRCA1 em pacientes com câncer de mama no Estado. A pesquisa é com 50 pacientes na Fundação Cecon, onde é feita a coleta de sangue para fazer o estudo de DNA, no laboratório de Genética Humana da UEA.
Segundo o pesquisador, o BRCA1 é um dos principais genes descobertos envolvidos com o surgimento câncer de mama. Ele explica que todo mundo possui o gene, mas os pacientes que têm câncer de mama apresentam uma espécie de mutação ou “defeito” nesse gene.
Rezende explica que embora menos que 10% de todos os casos de câncer de mama manifestem características hereditárias, estima-se que até 80% dos casos hereditários são relacionados a mutações no gene BRCA1.
“O gene BCRA 1 está relacionado ao câncer de mama. Todo mundo tem esse gene, ele é um supressor do tumor, pois mantém a estabilidade celular. Ele é representado por uma sequência de letrinhas, a pessoa que contém um gene com mutação é como se tivesse uma palavra escrita na forma errada, por exemplo, uma palavra onde a grafia correta fosse com Ç esteja escrita com SS. A célula irá interpretar de forma errada e poderá alterar sua função causando um câncer. Nas pessoas que desenvolvem o câncer, esta sequência gênica estará com alguma deformação, mas qual será o tipo dessa mutação? É isso que estamos tentando descobrir”, explica.
Outro ponto do estudo é identificar se essas mutações têm relação com o perfil da genética da população local, uma vez que no caso do Amazonas existe uma grande parte da população de ascendência diferenciada. “Uma das hipóteses do estudo é verificar se essa mutação genética estará relacionada à população local diferenciada etnicamente, pois a maioria vem de descendência indígena. Queremos saber se esses genes irão apresentar o mesmo perfil genético das mutações já descritas para outras pessoas que moram em outras regiões do Brasil”, disse.
O estudo tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa – Universal, que apoia atividades de pesquisas científicas e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do Estado do Amazonas.
Conforme Cleiton Rezende, que é doutor em Genética, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A estimativa é de que para 2018 surgirão mais de 59 mil novos casos da doença no país.
No Amazonas, de janeiro a julho de 2018, foram diagnosticados 86 novos casos da doença e 59 óbitos pela FCecon. Já em 2017, foram 131 casos de mulheres com câncer de mama e 109 óbitos.
Conforme o pesquisador, com os resultados da pesquisa, o teste genético poderá mostrar se a sequencia estiver alterada. Isso ajudará, por exemplo, uma paciente que nunca realizou um exame a buscar pelos exames já disponíveis e realizar a prevenção.
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