
Em 2015, Bruno conseguiu 90 dias de prisão domiciliar concedida por desembargadora afastada e investigada por ligação com facção. Foto: Divulgação
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informa que o Departamento de Inteligência Penitenciário (Dipen) está apurando as circunstâncias que levaram à morte do interno Bruno Vilhena Blanco, 27, na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na zona Leste de Manaus.
Nesta terça-feira (9), Bruno, vulgo “Bruno Bundão”, foi encontrado morto, supostamente por asfixia, dentro do banheiro da área de vivência da UPP. Ele ocupava a cela 1004, galeria superior 10, juntamente com outros oito detentos.
A Seap informa ainda que o caso foi encaminhado ao 28º Distrito Integrado de Polícia (DIP), bem como ao Instituto de Criminalística para trabalhos de perícia que identifiquem as causas da morte.
Ele cumpria pena por tráfico de drogas na unidade. Em 2014, foi preso com mais três homens e um carregamento de 200 quilos de cocaína, avaliados em R$ 3 milhões, sendo apontado, à época, como integrante da facção criminosa Família do Norte (FDN). Segundo fontes da polícia, ele teria migrado para o Comando Vermelho (CV).
O detento era apontado como soldado do traficante Alan Cartimário, o “Nanico”, e de Geomilson Lira Arantes, o “Roque”, ambos também ligados a Gelson Carnaúba, o Mano G, do Comando.
Quando foi preso em 2014, Bruno estava no Edifício Turim, um condomínio de classe média, na Ponta Negra. Ele foi detido com “Roque”. Além da droga, foi apreendido um arsenal – quatro .40, uma submetralhadora calibre 40, uma espingarda 12 de repetição e 139 munições calibres 40, 45, 9mm, 380mm. O quarteto estava com R$ 25,8 mil em dinheiro e dois carros que eram usados pelo grupo.
Os pacotes de cocaína estavam todos com as iniciais “PEZ”. Segundo a polícia, o “P” significa “Perna” – uma referência a Nanico, o “E” apenas o conectivo e “Z” seria do José Roberto Fernandes Barbosa, o Zé Roberto da Compensa.
“Bruno Bundão” ganhou prisão domiciliar em 2015, autorizada pela desembargadora Encarnação das Graças Sampaio Salgado, que depois foi afastada das funções do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), por suspeita de envolvimento com liberação de traficantes.
O presidiário foi detido na operação La Muralla, da Polícia Federal. Durante investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF, foram identificadas suspeitas de favorecimento de servidores do Judiciário e um agente de saúde do município, para a concessão de liberdade provisória e prisão domiciliar para detentos do grupo comandando por Zé Roberto. A desembargador havia concedido 90 dias de prisão domiciliar a Bruno.
