08/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Juiz que determinou transferência de presos de Caapiranga diz que não se deve fazer Justiça com as próprias mãos

Publicado em 23 de agosto, 2018

Juiz da Comarca de Caapiranga, Geildson de Souza, determinou transferência de presos que foram alvo de fúria da população. Fotos: Raphael Alves/ TJAM

O juiz Geildson de Souza Lima, que responde pela Vara Única da Comarca de Caapiranga (Município distante 134 quilômetros de Manaus), determinou a transferência dos presos do município para a unidade prisional de Manacapuru.

A decisão decorreu do tumulto ocorrido em Caapiranga na tarde de quarta-feira (22), quando populares tentaram invadir a delegacia da cidade após a notícia da prisão de dois suspeitos de envolvimento no desaparecimento de um homem, ocorrido na segunda-feira (20).

Na confusão, a área de carceragem da delegacia foi depredada, uma pessoa foi morta e nove ficaram feridos. Presos temporariamente, os dois suspeitos alvos da tentativa de linchamento por populares foram transferidos para Manaus.

Justiça com as mãos

O juiz Geildson destacou o caráter pacífico da população de Caapiranga e disse que as pessoas não devem buscar fazer justiça com as próprias mãos. “Isso não condiz com o Estado de Direito, com a democracia, e com a natureza da população do município, uma comunidade calma”, afirmou o magistrado.

“Pedimos que a população tenha confiança nas instituições. Tudo está sendo apurado, não haverá impunidade, e quem tiver de ser punido será, com o devido julgamento. A decretação da prisão temporária dos suspeitos permitirá à autoridade policial aprofundar as investigações, instruir o processo de forma mais completa e dar uma resposta à sociedade”, afirmou o magistrado.

Diligências

Ele acrescentou que as diligências investigatórias sobre o desaparecimento do homem estão transcorrendo, com o devido apoio do Judiciário no que lhe cabe e que o Ministério Público também está atuando no caso.

Hoje, Geildson reuniu-se com o presidente do TJAM, desembargador Yedo Simões, para relatar as medidas adotadas diante dos últimos acontecimentos em Caapiranga e de que forma o Judiciário está atuando, em conjunto com as forças de segurança e o Ministério Público, no sentido de garantir a normalidade na Comarca.

Força integrada

Da rápida reunião também participaram o vice-presidente do TJAM, desembargador Wellington Araújo, o comandante-geral da PM, coronel David Brandão, e o chefe da Assistência Militar do TJAM, Francisco Moisés de Souza Olímpio.

No momento da confusão no município, o magistrado encontrava-se reforçando as atividades da 2ª Vara de Manacapuru, convocado para atuar nas audiências concentradas da campanha Justiça pela Paz em Casa, que está acontecendo em todo o País e tem a finalidade de agilizar o andamento de processos relacionados a casos de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Ao ser informado dos acontecimentos em Caapiranga, ele gravou uma mensagem para ser postada nos grupos de WhatsApp que têm a participação dos moradores, pedindo calma à população.

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