08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O olhar visceral do poeta Dori Carvalho em livro que será lançado nesta quinta

Publicado em 13 de agosto, 2018

O olhar visceral do poeta Dori Carvalho em livro que será lançado nesta quinta. Foto: Bruna Chagas/PMS

Um poeta indômito, incomodado e inquieto, ele não fica calado para as coisas que estão acontecendo ao seu redor e no mundo. É assim que podemos definir um dos expoentes mais viscerais da literatura produzida no Amazonas. Os mais jovens devem estar se perguntando, quem é? Mas os balzaquianos já devem te uma ideia de quem ele seja. Dori Carvalho é o nome dele.

Há 40 anos ele renasceu em terra Baré e é o paulista mais amazônida do Brasil. Por isso Dori ganhou a reedição do primeiro livro, publicado em 1986, chamado “Desencontro das Águas”, em  homenagem a essas décadas vividas no Amazonas, nas quais colaborou intensamente para o crescimento literário do Estado. O evento de lançamento da 2ª edição será realizado no espaço da Livraria Leitura, no Amazonas Shopping, nesta quinta-feira (16), a partir das 18h30.

Reeditado pela Editora Valer, na coordenação de Isaac Maciel e o escritor Tenório Telles, a obra é um marco na produção poética contemporânea pelo significado histórico, como testemunho de um dos momentos marcantes da história brasileira, na segunda metade do século XX, e claro, a importância literária da produção poética do autor. O livro conta com críticas do saudoso contista Arthur Engrácio e de Tenório Telles.

Para Tenório. a poesia traz as marca e os referenciais estéticos da época em que Dori viveu, como “protesto, o recorte político, o humor, o compromisso social, a ruptura com o formalismo, a linguagem despojada e o caráter experimental de sua poética desassossegada e, por tudo isso, profundamente humana.”.

O Portal do Marcos Santos não poderia deixar essa data passar em brancas nuvens e bateu um papo com o poeta sobre o livro, literatura e o tempo

Portal do Marcos Santos – Pode contar sobre esse presente de reedição do livro?

Dori: Esse livro é meu primeiro livro, uma reedição comemorativa , um trabalho e uma dedicação do Tenório Telles onde ele faz um estudo crítico sobre a minha poética, sobre a minha produção na cultura e na literatura. Para mim é de extrema importância porque eu vou completar 40 anos de renascimento no Amazonas, que vivo no Estado. E esse livro é um presente do Tenório e do Isaac Maciel,  editor da Editora Valer, que tanto tem contribuído para o nosso crescimento cultural. É um mimo que eu recebo com todos os cuidados que a editora tem com a edição de seus livros. Para mim esses dois homens (Tenório e Isaac) representam a continuação de dois outros grandes  homens na cultura brasileira, os responsáveis pela Editora Civilização Brasileira, que tanto bem fez a cultura e a vida do povo brasileiro, o senhor Moacyr Felix e Enio Silveira – desse amor e dedicação aos livros e participar disso para mim é de extrema alegria e orgulho. Depois de ler o ensaio crítico do Tenorio, eu fiquei me perguntando onde foi que ele viu tanta coisa na minha poesia. E ele me respondeu dizendo que eu não sei e nem dou conta do meu valor. Eu continuo dizendo que é um mimo do meu companheiro de viagens, lutas e sonhos. Eu só tenho a agradecer a esses homens amantes dos livros e literatura. Ourives trabalhadores da literatura e cultura do amazonas.

PMS – Você é conhecido como um poeta indômito e trouxe uma linguagem própria para falar e reclamar o que incomoda, mas ao mesmo tempo consegue também ser romântico.Além disso, você é  bem ativo nas redes sociais, sempre com opinião formada. Você acredita que falar e dizer o que pensa é necessário ainda mais nos tempos de hoje, com tantos problemas sociais?

Doria: Eu não sei se os poetas devem abraçar causas. Eu acho que isso é uma coisa natural em mim. Eu quero falar do meu tempo, das lutas, denunciar as injustiças, as mediocridades. Quero enaltecer o ser humano, quero discutir a condição humana e uma delas é o amor, o desejo, a paixão, não vejo nenhum paradoxo. Falamos de amor, paixão, revolução, de tudo o que nos toca e se conseguimos tocar o coração e a mente de vidas, já valeu.

PMS – O que está lendo atualmente?

Atualmente estou lendo o mais novo livro do nosso escritor amazonense e universal, Milton Hatoum. Ele é um farol, uma grandeza literária.Mas sempre fico pegando coisas de tudo o que é canto para ler ou não, ou algo neste tijolo eletrônico. (risos).  Já li todos os dele e me faltava esse recente, que é o primeiro da trilogia “O lugar mais sombrio”,  que se chama “A noite da espera”.

Além disso, eu li 23 livros de crônica originais para o prêmio literário da Prefeitura de Manaus. Gente nova, gente que já tem estrada, gente que está estreando e foi uma alegria ver que eu tive dificuldades junto com os outros companheiros de banca, não pela má qualidade, ao contrario, livros de qualidade, gente criativa, talentosa, bem humorada, gente com estilo próprio.

PMS – Quais as referências literárias?

Dori: Eu fico lendo os poemas do Drummond e de tanta gente que me formou. Releio Maiakovski , Pessoa, Manuel bandeira e relendo os clássicos de  grandes mestres, porque é bom retornar aos grandes escritores brasileiros e aos do mundo.

Um pouco sobre Dori

Foto: Reprodução

Dori Carvalho nasceu em São Joaquim da Barra, São Paulo, no dia 11 de junho de 1955. A partir de 1978 passou a residir em Manaus, onde criou a Livraria Maíra, um dos mais importantes espaços de livros do Amazonas. É ator, diretor, professor de teatro, videomaker, cronista e poeta. Como ator participou de vários espetáculos teatrais, dentre eles: A Farsa do Juiz, de Alejandro Casona; A balada do flautista, de Jordi Teixidor, direção de Hélio Muniz; O elogio da preguiça, de Márcio Souza, direção de Gerson Albano; Aquela outra face da fribo, texto e direção de Aurélio Michiles, Os morcegos, texto e direção de Antônio Paulo Graça, Zaratustra, de Nietzsche, adaptação e direção de Francisco Cardoso (indicação de melhor ator no Festival Nacional de Teatro de São José do Rio Preto); Ekhart – o cruel, de Luiz Fernando Emediato, direção de Francisco Cardoso; Next, de Terrence Mcnally e O mendigo e o cão morto de Bertolt Brecht, como ator e diretor, e Pique-nique no front, de Fernando Arrabal, com direção de Nonato Tavares. No cinema participou dos filmes: A cor dos pássaros e Bad Boy, produções alemãs, de Herbert Brödl e Silvino Santos – o cineasta da selva, produção brasileira, de Aurélio Michiles e Nas asas do condor, de Cristiane Garcia, baseado em conto de Milton Hatoum. Na área da literatura, tem publicado, em jornais, dezenas de crônicas e artigos. É autor dos livros de poemas Desencontro das Águas, publicado pela Superintendência Cultural do Amazonas, e Paixão e fúria, editado pela editora Valer. Sua mais recente obra, Meu ovo esquerdo, foi publicada pela editora Travessia.

Reportagem: Bruna Chagas

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