Brasil, com B de bumbum

Após a Copa do Mundo de Futebol, na Rússia, o assunto que ocupa os principais noticiosos em nosso país começa com a letra B. Não, não se trata de Brasil e sua seleção derrotada pela Bélgica, muito menos as “bolas foras” que tomaram Neymar e Tite, que nem apareceram na lista dos dez nomes mais destacados entre jogadores e treinadores, respectivamente. Poderia ser a Beleza da presidente da Croácia, Kolinda Grabar comemorando efusivamente o título de vice campeã mundial, mas não, não é essa a manchete pós Copa.

O assunto não está ligado ao futebol, mas figura como uma das principais preferências nacionais. Sim, é ele. Nunca antes na história desse país o Bumbum esteve tão em alta como está agora e, exatamente, por causa dos procedimentos equivocados e criminosos para não deixá-lo cair.

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Desculpe o trocadilho, mas a desenfreada busca pelo corpo perfeito, a caça, a luta para estabelecer um padrão de beleza cogitado pela grande maioria das mulheres, e até homens, está beirando o exagero e a inconsequência. Não se fala noutro assunto que não sejam as mortes de mulheres por erros em procedimentos estéticos, principalmente no bumbum.

Lifting de sobrancelha, implante de silicone nos seios, preenchimento do rosto, cirurgia de orelha, cirurgia de pálpebras, lifting de rosto, lifting de pescoço, redução da mama, lipoaspiração, abdominoplastia, ninfoplastia, aumento de bumbum. É grande o número de procedimentos num país bem conceituado no ramo das cirurgias plásticas.

Em 2013, com quase 1,5 milhão de procedimentos, o Brasil pontuou como primeiro lugar no ranking mundial entre os países que mais realizam cirurgias plásticas, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês).

Ao mesmo tempo em que o Brasil construía seu status no cenário da cirurgia plástica mundial, internamente o que aconteceu foi um crescimento de falsos profissionais, movidos pela irresponsabilidade e pelo ganho fácil de dinheiro vindo de cobaias que pouco, ou nada ligam para os cuidados com os riscos à saúde.

Se levássemos em consideração que os erros médicos atinge 1 em cada 10 pacientes e isso representa cerca de 1.000 vidas por dia, saberíamos que é a maior causa de mortes no Brasil e já seria motivo de sobra para ter mais atenção e cuidado na hora de contratar um procedimento com médico e muito mais com falsos especialistas.

O mercado brasileiro está cheio de bons e de péssimos profissionais. Enganadores, criminosos até, que se valem da intenção de mulheres que, por simples capricho ou por excesso de vaidade, passam por cima de cuidados que deveriam ter antes de se submeterem a um ato que pode ser fatal.

Ao que tudo indica a vaidade está no DNA das brasileiras que, mundialmente, estão em primeiro lugar nas cirurgias de seios, lipoaspiração e glúteos, o popular bumbum. Também, com um litoral de mais de 7 mil km de extensão, uma festa popular onde Momo é o rei, mas é o bumbum quem manda, não se pode contrariar a ordem natural das coisas, muito menos uma mulher vaidosa. O que se pode, e deve, é prezar pelo cuidado de não correr riscos desnecessários, tomar todas as precauções e confiar nos bons, nos excelentes profissionais. O resto é esperar que se faça justiça com os erros médicos e desfilar com um belo sorriso, exibindo um bumbum com B de belíssimo.

Augusto Bernardo Cecílio

Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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