
O linchamento de Gabriel aconteceu em via pública, depois que dezenas de pessoas invadiram e depredaram o quartel da Polícia Militar, onde ele estava preso, em Borba. Foto: Divulgação
Cenas de barbárie e do que se chamava no século 18 de suplício público foram vistas no Município de Borba (distante 151 quilômetros de Manaus) neste domingo (8), durante o linchamento do preso Gabriel Lima Cardoso, 18, que teve o corpo queimado e carbonizado por populares.
Preso acusado de matar com 16 facadas uma adolescente de 14 anos, Gabriel, filho de pastor, recebeu a sentença popular, cuja revolta levou a se cumprir a lei do talião, que consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena – ou a chamada retaliação. Umas das leis mais antigas da história da humanidade foi cumprida em Borba por dezenas de pessoas.
O suplício público, quando o corpo de Gabriel foi espancado a pauladas, pedradas, pontapés e socos, foi filmado por dezenas de pessoas e os vídeos compartilhados nas redes sociais. Se no passado as execuções públicas mostravam a todos qual era o destino dos que desafiavam a ordem vigente, hoje são postadas e compartilhadas na internet, revelando a punição.
O linchamento de Gabriel aconteceu em via pública, depois que dezenas de pessoas invadiram e depredaram o quartel da Polícia Militar, onde ele estava preso. O contingente policial não foi capaz de conter a revolta numerosa, e alguns policiais ficaram feridos durante a ação.
Dois vídeos do ataque são impublicáveis por suas cenas fortes e violentas. Mostram o linchamento de Gabriel e ele já inconsciente. Um homem afasta a multidão e carrega o corpo, colocando-o em cima de uma viatura, onde continua sendo espancado com golpes na cabeça.
Depois, o corpo é carregado e colocado em cima de pneus em chamas, sendo queimado. Dezenas de celulares filmam cada ação, entre gritos de comemoração.
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